Motoristas de aplicativos convivem com risco da violência
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sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Vitor Struck - Grupo Folha 
Há cerca de uma semana, a Polícia Militar foi acionada pela mãe de um motorista de aplicativos londrinense que havia desaparecido após sair para trabalhar. Ele teve o celular e dinheiro roubados e só foi encontrado horas depois espancado no banco de trás do próprio veículo. Em fevereiro do ano passado, Vanderlei Teixeira da Silva, 33, foi morto a facadas durante assalto na região da avenida Duque de Caxias.
Embora a Polícia Civil não tenha estatísticas sobre os crimes cometidos contra motoristas de aplicativos, há consenso entre eles sobre os riscos e a gravidade da situação. Para os amigos Márcio Segatel e Enderson Lemes, que há cerca de dois anos trabalham com os aplicativos Uber e 99, não é exagero dizer que todos os dias pelo menos um condutor é vítima de algum crime em Londrina. Essa situação os forçou a adotarem medidas de segurança, especialmente no período da noite.
“Nós falamos (em grupos) onde estamos pegando o passageiro e onde estamos levando, códigos básicos de rádio, temos dois aplicativos pra monitoramento, um do WhatsApp e outro pago que oferece um GPS. Quando desconfiamos de alguma coisa damos um alerta para a central e eles vão ao nosso encontro”, explica Segatel.
Lemes lembra o dia em que suspeitou que seria vítima de assalto, quando teve uma corrida acionada por uma usuária do Uber, mas dois homens o aguardavam no local indicado. “Para a minha sorte era a minha última corrida. Eles indicaram para a minha rua e eu disse que era a minha rua. No que estávamos na metade do caminho, sem conversar com o outro, um deles pediu para mudar o endereço. Foi a situação que mais me assustou, achei que seria assaltado aquela vez”, conta Lemes.
Visando mais segurança, motoristas de aplicativos de Londrina entraram em contato com a Polícia Militar para debater medidas de prevenção. De acordo com o major Marcos Tordoro, que assumiu o comando da 4ª Companhia Independente em julho deste ano, a utilização de adesivos que facilitem a identificação por agentes de segurança, especialmente no período da noite, é a medida mais urgente.
“Para poder verificar como estão os motoristas, os passageiros, se está tudo certo. Nós vamos identificar os carros. Ainda vamos ver com eles um adesivo padrão. Não estabelecemos o modelo ainda, mas é para que possamos realizar uma abordagem tranquila. Para que as pessoas que contratarem o serviço fiquem sabendo que poderão ser abordadas”, explica.
A CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização) afirma que ainda não foi procurada para tratar sobre prevenção contra violência e lembra que o decreto de regulamentação do serviço prevê a utilização de um adesivo no para-brisa. Cerca de 300 motoristas de aplicativos fizeram os primeiros procedimentos para cadastro na companhia.
A Uber ressalta em seu site oficial que conta com o botão de “ligar para a polícia”, registro por GPS e que exige o CPF (Cadastro Pessoa Física) dos usuários que solicitarem realizar o pagamento em dinheiro, além de possibilitar o compartilhamento da rota com outros contatos. A 99 tem as mesmas práticas de segurança. Os aplicativos, no entanto, não exigem documentos como certidão negativa de antecedentes criminais dos passageiros, regra válida para motoristas.
Enquanto novas reuniões não são realizadas com a Polícia Militar, Segatel e Lemes lamentam a falta de união entre os motoristas. "Nosso escritório é a rua, todo o passageiro pode ser um risco”, lamenta Lemes.


