São Paulo, 29 (AE) - O projeto que prevê o pagamento de pedágio na Marginal do Tietê não está agradando os motoristas. Além do gasto adicional, nem todos acreditam que o trânsito irá melhorar. "Sou totalmente contra", disse o policial militar Eriberto Dantas, que passa duas vezes por dia na Marginal do Tietê. Segundo ele, os motoristas também enfrentarão problemas de congestionamento. "Se quando um carro quebra o trânsito pára
imagina o que vai acontecer com um pedágio", raciocina.
O comerciante Reginaldo da Silva também é contra a proposta. Ele mora em Uberlândia (MG) e toda semana viaja para São Paulo. "Já tenho de pagar oito pedágios na estrada e agora vou ter mais um para poder andar dentro da cidade", reclama. O radialista José Aparecido Andolfato deve procurar caminhos alternativos, para economizar. "Isso vai atrapalhar ainda mais o trânsito na cidade, pois todo mundo vai fugir das Marginais", acredita Andolfato. "Vamos ter de chamar a polícia, pois isso é um roubo", afirmou o comerciante aposentado Jacob Beckers, que mora no Jaraguá, zona oeste. Para ele, em vez de criar mais um imposto, a Prefeitura deveria indenizar os motoristas por terem de trafegar em vias tão ruins. "Nós somos sempre penalizados e não recebemos nada em troca do poder público". O professor de Português Jorge da Silva Portugal afirmou que não usará mais as pistas expressas das Marginais, caso a cobrança seja aprovada em segunda votação e sancionada pelo prefeito Celso Pitta (PTN). "Faz diferença no fim do mês para quem ganha pouco". Ele acredita que o prefeito vai aprovar medida tão impopular porque sabe que não tem chance de ser reeleito. Para o taxista Américo Marques de Freitas, o prefeito ainda não conhece a cidade direito. "Se ele fosse de São Paulo não faria isso", disse. "É o que dar ter um prefeito do Rio de Janeiro". Alternativa - O secretário municipal dos Transportes, Getúlio Hanashiro afirmou que as pistas tarifadas serão uma opção para quem quiser uma via com trânsito mais livre. "Quem não quiser pagar poderá transitar nas pistas semi-expressas e nas locais", disse. A construção de três novas faixas nos dois sentidos da Marginal do Tietê deverá começar em janeiro do ano que vem, caso o projeto de lei passe em segunda votação na Câmara Municipal. Ao todo, elas terão 50 quilômetros, 25 em cada sentido.
As novas faixas serão construídas nos espaços públicos entre a pista expressa e a local. Algumas pontes terão de ser reformadas para a construção das novas faixas. Está previsto a construção de um retorno sobre o Rio Tietê, na altura da Anhembi Eventos e Turismo, e duas novas pontes, uma na Lapa e outra próximo à Avenida do Estado. A obra está orçada em R$ 250 milhões, que será custeada pela iniciativa privada. Em troca, a empresa poderá explorar o pedágio, que deve custar em torno de US$ 1, durante 30 anos. A empresa vencedora da licitação deverá reformar toda a atual via expressa, que será liberada para a cobrança do pedágio. O sistema de cobrança ainda não está definido, mas a hipótese mais provável é que sejam utilizados chips eletrônicos.
"A via expressa deve ser reformada e transformada em uma rodovia urbana", disse Hanashiro. Segundo ele, os benefícios com as novas pistas compensarão o pagamento de uma tarifa. "O trajeto que atualmente é feito em uma hora no horário de pico poderá ser feito em 20 minutos", disse o secretário. "Acredito que, para o motorista, isso compensará o custo", completou. (Colaborou Bia Reis)

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