Motoristas cariocas são vítima de falsa blitz
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sexta-feira, 20 de agosto de 1999
Por Ana Paula Nogueira 
Rio, 21 (AE) - Uma falsa blitz, promovida por traficantes, fez, mais uma vez, motoristas cariocas de vítimas. Na madrugada de hoje, bandidos da Favela do Guarda, no subúrbio de Pilares, fecharam a pista da Linha Amarela, no sentido Barra da Tijuca-Ilha do Governador, e mataram o policial militar Sérgio Carlos Bastos. A namorada do policial, Divinéia da Silva, levou um tiro na perna e sofreu um ferimento de raspão na cabeça. A pista da Linha Amarela foi fechada por volta das 2 horas da madrugada com galhos, pedras e até um sofá velho. Alguns motoristas perceberam que tratava-se de falsa blitz e voltaram apavorados pela contramão da via, o que chamou a atenção da polícia.
A falsa blitz durou pelo menos 30 minutos, até a chegada dos policiais. Nenhum bandido foi preso. O policial militar, que estava à paisana em uma moto, acompanhado da namorada, não conseguiu fugir e foi abordado pelos traficantes. Ao encontrar a carteira funcional de Bastos, os bandidos executaram o policial. A moto que estava com o casal foi roubada. O PM seria enterrado no Cemitério de Inhaúma, também na zona norte do Rio.
As blitz promovidas por traficantes estão virando rotina na cidade. Antes, esse tipo de operação era mais frequente nos municípios da Baixada Fluminense, na periferia. Vias expressas, como a Linha Amarela e a Linha Vermelha, que atravessam a cidade
da zona sul à zona norte, são cercadas por favelas, e se transformaram em alvo fácil para os bandidos.
No último dia 16, traficantes do Parque das Missões, em Duque de Caxias, fecharam a linha Linha Vermelha, que liga o Centro à Baixada Fluminense. A operação foi bastante requintada: pelo menos 18 homens armados utilizaram um caminhão-baú, três carros e jacarés - tábuas cobertas de pregos - para fechar as pistas nos dois sentidos e roubar os veículos e os motoristas. Os marginais chegaram a explodir uma granada no momento do confronto com os policiais. Uma patrulha da polícia foi atingida por um tiro de fuzil, mas ninguém ficou ferido.
Na madrugada do dia 15 de junho, traficantes promoveram uma arrastão na Estrada Menezes Cortes (Grajaú-Jacarepaguá), também uma via expressa. Pelo menos cinco carros foram saqueados por homens e mulheres armados. Na época, o governador do Rio, Antony Garotinho, recomendou que os batalhões do Méier e da Tijuca, na zona norte do Rio, fizessem operações conjuntas para prender o bandido conhecido como Eduardo Black, chefe do tráfico de drogas no Morro do Gambá, no Lins, apontado como líder do arrastão.
"Quando era repórter de rádio, devo ter feito umas cinco reportagens sobre arrastão na Grajaú-Jacarepaguá", afirmou Garotinho, na época. Já a Linha Amarela, que tem boa parte de sua extensão cercada por favelas, além dos arrastões, já foi palco de um sequestro. No dia 21 de abril, bandidos renderam o médico Edgard Renaud Batista de Oliveira, dono da Clínica Renad Lambert, que transitava pela via a caminho de casa.


