Motoristas cancelam greve marcada para 2ª feira
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sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 28 (AE) - A diretoria do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte de São Paulo, em reunião plenária com militantes da categoria, decidiu suspender a greve de 24 horas marcada para segunda-feira.
A paralisação nas garagens de ônibus, aprovada em assembléia realizada ontem, era para exigir mais segurança e protestar contra o governador Mário Covas e o prefeito Celso Pitta, por causa da falta de providências contra a violência dos perueiros.
"Estamos dando um voto de confiança ao prefeito Celso Pitta que prometeu colocar seu bloco na rua, intensificando a fiscalização e apreendendo as peruas clandestinas, além de dar segurança aos passageiros e a nós profissionais", disse Gregório Poço, presidente do Sindicato dos Motoristas.
Ele informou que na segunda-feira terá uma audiência com o secretário de Segurança Pública, Marco Vinicio Petrelluzzi. "Vou pedir que a Polícia Militar também participe do combate à violência dos perueiros, pois não queremos carregar a alça do caixão de nenhum companheiro incendiado", afirmou.
Os integrantes da tendência Resgate não concordaram com a decisão e abandonaram a reunião. "Uma plenária não pode derrubar decisão de uma assembléia; só outra assembléia pode revogar uma decisão tomada anteriormente", desabafou Geraldo Diniz da Costa, um dos diretores do sindicato. "O Poço manobrou mais uma vez, enganando a categoria", afirmou.
A Resgate, com o controle de 25 das 54 comissões de garagens, defendia a proposta de se fazer a greve nas ruas, paralisando a cidade, além de "invadir" os Palácios dos Bandeirantes e das Indústrias (sedes do governo do Estado e da Prefeitura) com "mais de mil ônibus". As facções Articulação Sindical e Novo Rumo, ligadas ao PT, e a Corrente Classista, ao PC do B, foram contrárias a essa proposta e preferiram suspender a greve, aprovada ontem.
Durante o dia de hoje, representantes do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte de São Paulo e do Transurb, o sindicato patronal, fizeram uma peregrinação pelos gabinetes do secretário municipal do Transportes, de Pitta e do Ministério Público.
"Os perueiros incendiaram ônibus, atirando coquetéis molotov, e transformaram a cidade numa baderna, insultando a população; isso tem de acabar", concluiu Poço.


