Carmem Murara
De Curitiba
Com um buzi naço e ar de sa tisfação e orgu lho estampado no rosto, os ca minhoneiros co meçaram a libe rar ontem às 17h45, as rodo vias que estavam interditadas desde segunda-feira, na região de Curitiba. Eles seguiram a orientação nacional e assim que souberam do resultado das negociações correram para os caminhões para iniciar a viagem interrompida pelos bloqueios de quatro dias. A maioria dos caminhoneiros dava mostras de cansaço, mas eles garantiram que têm fôlego para fechar as rodovias, novamente, se o governo estiver blefando e não cumprir o que prometeu.
O presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos (Sindicam), Diumar Bueno, disse que conversou ontem com o secretário dos Transportes, Heinz Herwig. ‘‘Ele nos disse que teríamos uma reunião com o governador nos próximos dias’’, declarou.
‘‘Nós provamos que temos força suficiente para parar o País’’, era a frase mais ouvida entre os anônimos motoristas que, nos últimos dias, descobriram que podem provocar uma pane na economia nacional se deixarem de rodar pelas estradas. Em poucos dias, o protesto conseguiu formar uma fila com cerca de 1,5 mil caminhões no Estado, segundo estimativa feita pelos organizadores. Mercadoria e combustíveis se tornavam produtos cada vez mais escassos em muitos municípios.
Na BR 116, onde se concentrava o maior engarrafamento, o clima era de tensão durante o dia de ontem. Muitos caminhoneiros, apesar de apoiarem o protesto, não queriam mais permanecer parados na rodovia. Esgotado e sem saber que estava prestes a surgir uma solução para o impasse, um motorista descontrolado abriu a carroceria de seu caminhão e despejou um carregamento de poncã. Foi embora logo em seguida.
Outros caminhoneiros, mesmo cansados, asseguravam que iriam resistir ao máximo. ‘‘O País conheceu a força que tem um caminhoneiro. Paramos tudo de novo se for preciso’’, gritava, orgulhosa, dona Ivanilda Zibetti, mulher de um caminhoneiro do município de Quatro Barras. Os dois levaram o caminhão vazio para se somar aos manifestantes na BR 116, no perímetro urbano de Curitiba.

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