Londrina - Cinco pessoas de uma mesma família ficaram feridas em um capotamento registrado no último domingo, na Rodovia Carlos João Strass (zona norte de Londrina). Segundo o Corpo de Bombeiros, dos ocupantes do carro, somente um bebê estava preso à cadeirinha de segurança. Os demais passageiros, um casal e duas crianças (uma de 2 anos e outra de 7), não usavam cinto de segurança, muitos menos assentos de elevação. Apesar da gravidade do acidente, não houve mortes e a família recusou encaminhamento hospitalar.
Segundo o diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues Alves Júnior, o episódio não é incomum e mostra a cultura precária em relação à segurança no trânsito no Brasil. "A população não está consciente dos perigos do trânsito. As pessoas são habilitadas como condutoras e acham que o veículo é um brinquedo. Para piorar, a falta de fiscalização agrava o cenário de imprudência. É preciso haver punição severa e investimento em educação no trânsito para começarmos a mudar esse cenário", comentou.
Alves explica que o uso do cinto de segurança protege as lesões do tórax em 100%, do quadril em 90% e da coluna vertebral em 60%. "Em média, o cinto reduz em cerca de 60% a 70% o risco de óbito, dependendo do tipo de colisão. Porém, pesquisas apontam que 93% da população ainda não usam o cinto de segurança país afora", alertou. Deixar de usar o cinto de segurança , tanto condutor quanto passageiro, é infração considerada grave, passível de multa, além de medida administrativa, conforme previsto no artigo 65 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).
"As pessoas acreditam que não há riscos em caso de acidente. O que elas não sabem é que, em caso de colisão, o cinto de segurança impede que o corpo do passageiro seja projetado para frente, causando impacto no banco da frente e podendo resultar, inclusive, no óbito do passageiro dianteiro."
O movimento do corpo de ocupantes do banco traseiro sem cinto ocorre, em geral, para cima, contra o teto, e para a frente, contra o encosto do banco dianteiro. Um estudo da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação mostra que em uma batida a 80 km/h o impacto de um adulto que pese 70 kg e esteja sem o dispositivo de segurança é de 5,2 toneladas sobre o banco dianteiro. No caso de crianças, a gravidade é ainda maior. "Em função do baixo peso, há grande possibilidade do corpo ser ejetado em direção do para-brisa. O óbito acontece em 99% dos casos", revelou.
De acordo o diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), major Arnaldo Sebastião, o motorista é responsável pelos passageiros e deve cobrar a utilização do cinto de segurança. "Isso deve ocorrer, também, na utilização de táxis." Segundo ele, a falta de uso do cinto é a segunda maior infração no município, ficando atrás somente do excesso de velocidade. "As pessoas precisam se conscientizar, de uma vez, que a obrigatoriedade do dispositivo é, acima de tudo, uma questão de segurança à vida e não apenas de autuação."

Imagem ilustrativa da imagem Motoristas ainda resistem ao uso do cinto