Motoristas à beira de uma ataque de nervos
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quarta-feira, 20 de julho de 2011
Davi Baldussi <br> Reportagem Local 
Londrina - Dá para entrevistar uma pessoa usando apenas o tempo que ela fica parada num semáforo em Londrina. Já passava das 17 horas quando Roseli Castro, administradora, respeitou o sinal vermelho da Rua Pernambuco com a Avenida Juscelino Kubitchek e respondeu à pergunta inaugural da entrevista que durou um minuto e quinze segundos, o tempo que o semáforo permanece fechado naquela esquina.
Você já se irritou no trânsito?
''Várias vezes. Quando você levada uma fechada, passa por um buraco na rua. Não tem como não ficar irritada.''
Alguma vez você se envolveu numa discussão de trânsito?
''Não, isso eu evito''.
E o que você faz quando perde a paciência?
''Eu falo comigo mesma, talvez mando eu mesma para p... que pariu. Vou fazer o quê?''
Londrina possui aproximadamente 2.000 quilômetros de ruas e avenidas pavimentadas, que são percorridas por pelo menos 280 mil veículos, além dos carros, motos, ônibus de outros municípios que visitam corriqueiramente a cidade.
Dos condutores que conversaram com a Folha um sentimento é unanimidade: ''O trânsito irrita''. Para o comerciante Brasil Cordeiro, a lentidão é a pior faceta que alguém pode enfrentar enquanto se locomove. ''Principalmente em dia de chuva, que aumenta o número de carros. Aí demora um bom tempo para passar por um simples semáforo. Eu até evito dirigir nos horários de pico'', conta.
O personal trainer Ricardo Manholer, que só se desloca com sua motocicleta, já esteve perto de se envolver em algumas discussões de trânsito. ''Eu deixo quieto, até porque estou de moto. Mas todo dia passo raiva principalmente por causa da falta de seta e buraco na rua''.
De acordo com o psicanalista Marcelo Castro, a raiz da irritação no trânsito é o estilo de vida atual. ''As pessoas estão perdendo a noção do coletivo, de cidadania, do espaço do outro. A pressa faz parte da rotina. As richas no trânsito refletem um modo de ser egocêntrico e intolerante'', comentou.
Segundo Castro, um dos passos para evitar a irritação é a pessoa dirigir de forma defensiva, ''não apenas como os agentes de trânsito orientam, para conduzir pensando no erro do outro, mas dirigir de forma defensiva contra os próprios impulsos.''


