Motorista vai responder por homicídio
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terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Lucio Flávio Cruz<br>Reportagem Local 
Londrina - O motorista Rômulo Andrade da Silva, de 24 anos, vai responder por homicídio doloso pela morte de duas irmãs, de 12 e 16 anos, na madrugada de domingo no trecho urbano da BR-369, na zona leste de Londrina. Rômulo foi autuado em flagrante e foi encaminhado ontem à tarde ao 4º Distrito Policial depois de receber alta hospitalar da Santa Casa.
Segundo o delegado Edgar Soriani, o condutor assumiu o risco de provocar um acidente por estar em alta velocidade e ter ingerido bebida alcoólica. "As informações iniciais da perícia indicam que a velocidade era de 120 km/h, quando a permitida para o trecho é de 80 Km/h. O teste do bafômetro também apontou a ingestão de álcool. Por isso o indiciei pelo Código Penal como homicídio doloso, com intenção de matar", explicou.
De acordo com a polícia, as adolescentes, que moravam em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) retornavam de um baile funk e foram atingidas na marginal da rodovia. A morte das irmãs chama a atenção para o problema da participação de menores de idade em festas noturnas. Para o promotor da Vara da Infância e da Juventude de Londrina, Márcio Bergantini, as meninas não poderiam de maneira nenhuma estar no baile. "Nem mesmo a mais velha, sem um responsável maior de idade, poderia estar lá", colocou o promotor. "Se fosse uma festa voltada para menores de idade, os organizadores teriam que comunicar isso à Justiça para conseguirem uma autorização judicial para a entrada de adolescentes. Caso contrário é uma situação totalmente irregular."
O Grêmio Literário e Recreativo Londrina, local onde o baile foi realizado, informou que apenas alugou o salão e que toda a responsabilidade é da empresa promotora do evento. A administradora da Marcos Rogério Elesbão Ltda., que promoveu a sexta edição do LondrinaFunk, Milena Silva, garantiu que "nenhum menor de idade entrou na festa, já que a fiscalização é rigorosa".
"Nós temos controle através de documentos na entrada. Somente maiores de 18 anos passaram pelos portões. Os nossos seguranças são treinados para isso. Temos inclusive detector de metais para evitar a entrada de armas", afirmou Milena.
Segundo ela, aproximadamente 700 pessoas estavam na festa e 35 seguranças trabalharam no evento. "Não dá para afirmar que realmente as meninas estavam na festa."
A polícia localizou no braço das adolescentes após o acidente duas pulseiras alusivas a festa e que permitiam a entrada sem restrições no baile funk.
Bergantini garantiu que vai apurar as responsabilidades e que os organizadores do evento podem responder por infrações na esfera administrativa e criminal. "Vamos apurar, por exemplo, para saber se houve relacionamento sexual com as adolescentes na festa, se houve fornecimento de bebida alcoólica ou outras drogas ilícitas", ressaltou. "Os pais também têm responsabilidades. No mínimo, estas meninas não poderiam estar sozinhas na rua durante a madrugada."


