Dimitri do Valle
De Curitiba
O motorista Erlon Santos será indiciado por homicídio doloso no inquérito que apura as causas do acidente que matou 19 passageiros de um ônibus da Viação Itapemirim. Santos conduzia uma carreta pela BR-116, em Miracatu (SP), quando o contêiner se desprendeu da carroceria e atingiu o ônibus no final da madrugada do dia 3 deste mês. O motorista está foragido desde a tragédia, mas prometeu se apresentar hoje ao delegado de Miracatu, Flávio Ruiz Gastaldi.
Familiares das vítimas e advogados da empresa Itapemirim souberam que a Transportadora Costa Sul, com sede em Paranaguá, fechou as portas e demitiu os 12 funcionários. A transportadora era a proprietária da carreta dirigida por Santos. O motorista alegou que só aparecerá na delegacia caso não seja exposto na imprensa. Por isso, o horário de sua chegada na delegacia não foi revelado pelo delegado. ‘‘Já avisei para o advogado dele que venha falando a verdade, pois temos elementos para indiciá-lo por homicídio doloso’’, afirmou Gastaldi.
A polícia tem o depoimento de um garçom que testemunhou Santos bebendo uma lata de cerveja. ‘‘Isso já basta para alterar os reflexos. Ele é um motorista profissional e assumiu o risco de produzir o resultado’’, comentou Gastaldi. Peritos da Polícia Civil de Registro ainda não concluíram o laudo de inspeção na carreta da Costa Sul. O documento poderá esclarecer as causas do tombamento do contêiner.
A investigação que apura o desaparecimento do corpo da professora Beatriz de Barros Silva, 30 anos, está sob responsabilidade da Corregedoria da Polícia Civil paulista, que ainda não concluiu a apuração. Beatriz era uma das passageiras do ônibus. Após o acidente, o corpo da professora ficou desaparecido por quatro dias até ser encontrado numa viatura do Instituto Médico-Legal (IML) de Registro. A família de Beatriz responsabiliza o IML e funerárias pelo desaparecimento do cadáver.

mockup