Agência Estado
Do Rio
O presidente do Movimento União Brasil Caminhoneiros, Nélio Botelho, disse ontem que a categoria não permitirá a participação de empresários nas rodadas de negociação com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, que começam amanhã em Brasília. Botelho disse que não caberá aos empresários discutir questões como a redução do preço do pedágio ou novo sistema de pontuação de multas.
Segundo ele, com os empresários será discutida apenas a criação de uma tabela de fretamento. ‘‘Se fosse assim, gostaríamos que eles nos mostrassem a planilha de custos deles’’, criticou.
O líder dos caminhoneiros negou que a paralisação da categoria na semana passada teria sido um locaute. ‘‘Nossa greve foi feita apenas pelos caminhoneiros’’, afirmou. ‘‘Em nenhum momento tivemos a participação de qualquer empresário ligado às confederações de Transportes (CNT), de Cargas (CNTC), de Agricultura (CNA) ou do Comércio (CNC).’
O governo federal, porém, suspeita que a paralisação dos caminhoneiros foi mesmo um locaute. Tanto que, no domingo, o ministro Padilha defendeu a participação de representantes da CNT e da CNTC nas reuniões do grupo de traballho interministerial.
O grupo que foi criado para discutir as 11 reivindicações dos caminhoneiros terá 90 dias para solucionar os pontos pendentes. Para Padilha, é preciso estabelecer um relacionamento com todas as partes envolvidas. ‘‘É claro que o problema da nossa categoria envolve todo o setor, até porque alguns pontos da nossa pauta de reivindicações são de interesses das próprias transportadoras, como por exemplo, a discussão de uma tabela de frete’’, ponderou Botelho.
O líder sindical ressaltou, no entanto, que a redução do preço do pedágio para R$ 1,00 por eixo e revisão das perdas de pontos por infração de trânsito são de interesse ‘‘exclusivo’’ dos caminhoneiros. ‘‘Acredito que a participação dos empresários nessas discussões irá mais atrapalhar do que ajudar’’, afirmou.
A Assessoria de Imprensa do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, esclareceu ontem que não há nenhuma intenção de se congelar os preços do óleo diesel como um dos itens de negociação entre o governo e caminhoneiros. Segundo os assessores, o compromisso de não conceder aumento no preço do óleo diesel foi motivado pelas especulações de que haveria novo reajuste nos preços na sexta-feira passada.
Os assessores explicaram que a afirmação de que o preço do diesel não seria reajustado se referia apenas a um eventual aumento, que não se concretizou. A assessoria insistiu que isso não significa que o preço do diesel não seja alterado em outra oportunidade. Por isso, explicaram os assessores, é que a questão do diesel não consta formalmente no acordo do governo com os representantes dos caminhoneiros.

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