Motorista pode gastar mais com pedágio do que com combustível
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sexta-feira, 30 de julho de 1999
Por José Maria Tomazela 
Sorocaba, SP, 31 (AE) - Um carro que sai de São Paulo com destino a Ituverava, próximo da divisa com Minas Gerais, pela Rodovia Anhanguera, vai passar por oito postos de pedágio e pagar, até o fim da viagem, R$ 32,00. No percurso, de 440 quilômetros, terá gasto cerca de R$ 40,00 de combustível.
Para fazer a mesma viagem, um caminhão de cinco eixos carregado gastará R$ 160,00 só de pedágio e R$ 114,00 com combustível. A Anhanguera é um exemplo do alto custo dos pedágios no Estado de São Paulo.
A proliferação das praças de cobrança ocorreu nos últimos cinco anos. Em 94, as rodovias paulistas tinham 24 postos em operação. Hoje, são 81, dois em rodovias federais. Desses, cinco estão com a cobrança de tarifa suspensa temporariamente. O custo da tarifa básica praticamente quadruplicou nesse período: de R$ 1,25 por eixo (ou automóvel) no início de 94, subiu este mês para R$ 4,80, com o recente aumento de 8% autorizado pelo governo estadual.
Segundo a Associação Nacional do Transporte de Cargas (ANT), além de ter a maior quantidade de postos de cobrança, o Estado de São Paulo tem a tarifa mais cara. Nas vias expressas, qualquer veículo de carga - ônibus ou caminhão - paga, de pedágio, R$ 0,049 por quilômetro rodado por eixo. É o que paga também um carro de passeio.
Em complexos viários, como o Anhanguera-Anchieta, o custo por eixo sobe para R$ 0,055 por quilômetro. Na Via Dutra, estrada federal, o custo do quilômetro rodado é de R$ 0,035 por eixo. No Rio Grande do Sul, cai para R$ 0,020, valor próximo do cobrado no Paraná.
Segundo o assessor técnico da ANT, Neuto Gonçalves dos Reis, o Programa de Concessões Rodoviárias do governo estadual adotou uma modalidade onerosa de tarifa. "Fixou-se o preço da concessão e essa foi dada para quem ofereceu mais dinheiro como pagamento ao governo." Se não houvesse esse ônus, segundo ele, o pedágio poderia ser mais barato. As nove concessionárias que atuam no Estado construíram, nos últimos dois anos, 55 novos pedágios.
Nas estradas federais, o custo é menor, segundo Reis. De São Paulo ao Rio, numa distância de 400 quilômetros, um carro de passeio paga R$ 14,00, enquanto um caminhão de três eixos paga R$ 42,00 e uma carreta com cinco eixos, R$ 70,00. "É quase a mesma distância de São Paulo a Ituverava", compara.
O governo reconheceu que havia cobrança excessiva em algumas rodovias. No trecho duplicado da Marechal Rondon, entre Areiópolis e Glicério, com cerca de 200 quilômetros, foram instalados seis postos de pedágio, cobrando tarifas de R$ 3,40 e R$ 4,20. Em três delas, a cobrança está suspensa. Onde isso não ocorreu, os motoristas criaram rotas alternativas para escapar do pedágio. Foi o que levou a prefeitura de Boituva, na região de Sorocaba, a criar um pedágio municipal. Para fugir do pagamento no quilômetro 111 da Castelo Branco, os caminhões passavam por dentro da cidade.
"Estamos cobrando a mesma tarifa", disse o prefeito Edson Marcusso (PSDB). O governo concedeu, também, um desconto de 20% para os veículos de transportadoras sindicalizadas, mas os carreteiros autônomos não têm direito ao benefício. Isso não impede que os motoristas recorram à Justiça contra o pagamento.
Críticas- O aumento do preço dos pedágios é a principal crítica dos paulistanos à privatização das rodovias. Para metade dos entrevistados pelo InformEstado (47,8%), esse serviço também piorou após a privatização. E o maior número de reais que precisam sair do bolso toda vez que o paulistano cruza uma cabine de pedágio é a causa apontada por 63% deles para justificar a crítica ao serviço privado. A segunda maior reclamação é que as rodovias continuam má conservadas e com buracos na avaliação de 48% dos entrevistados.
Por isso, para os moradores de São Paulo há uma péssima relação de custo-benefício nas estradas. O serviço é considerado caro por 85,8% dos entrevistados.
A profunda insatisfação dos paulistanos com os serviços públicos privatizados pode ser medida pela crítica à disposição do governo em usar o Exército para desbloquear as estradas. Durante a manifestação dos caminhoneiros, o presidente Fernando Henrique Cardoso decidiu que usaria essa alternativa. Apesar do risco de desabastecimento do País, o uso do Exército foi desaprovado por 76,8% dos paulistanos.


