Motorista nega culpa em acidente que matou 19
Dimitri do Valle
De Curitiba
O motorista Erlon Santos negou ontem a responsabilidade no acidente que matou 19 passageiros de um ônibus da Viação Itapemirim. Onze dias depois da tragédia na BR-116 em Miracatu (SP), o motorista se apresentou à polícia para culpar o motorista do ônibus, Otaviano Domingues. Em depoimento ao delegado Flávio Ruiz Gastaldi, Santos afirmou que a carroceria de sua carreta foi atingida pelo ônibus, que teria entrado na contramão numa curva. O violento impacto teria provocado o tombamento do contêiner, que era levado pelo caminhão, sobre o ônibus.
Santos alegou ainda que tentou jogar a carreta no acostamento para evitar a colisão. Ele disse que o ônibus comeu faixa e bateu na carroceria, informou Gastaldi. A história não convenceu o delegado. O motorista foi indiciado em inquérito por homicídio doloso. Ele está mentindo. Não botei fé pois caiu em muitas contradições. Um garçom, conhecido por Eudes, foi ouvido na investigação. Eudes pegou carona com Santos até Juquitiba (SP) quando o acidente aconteceu. O garçom desmentiu o motorista. A testemunha garantiu que o caminhão derrapou na curva e foi para cima do ônibus.
Gastaldi disse que Santos confirmou ter bebido uma lata de cerveja como sustentou o garçom desde o início das investigações. Apesar da confissão, ele jurou que não estava embriagado. O motorista contou que não permaneceu no local do acidente pois ficou com medo do estrago que presenciou. Santos teria permanecido escondido no matagal da rodovia até se sentir seguro para pegar carona na estrada e regressar a Paranaguá, cidade onde mora e está localizada a Costa Sul Transportes. Proprietária do caminhão, a empresa fechou as portas na quinta-feira.
Erlon Santos vai responder o processo em liberdade. O delegado Flávio Gastaldi assinalou que não pedirá sua prisão porque o motorista comprovou ter endereço fixo em Paranaguá e garantir se apresentar quando for intimado.





