Curitiba- O motorista José Aparecido Alves, de 49 anos, condutor do ônibus envolvido no acidente que matou duas pessoas e deixou 31 feridas na Praça Tiradentes, em Curitiba, na quinta-feira, foi liberado ontem pela madrugada, mediante pagamento de fiança. Alves havia sido detido após a batida, depois de ser atendido no hospital, por flagrante de homicídio culposo (sem intenção de matar) e lesão corporal.

Anteontem, o ônibus da empresa Redentor passou desgovernado por vias ao redor da Praça Tiradentes, bateu em um táxi e um veículo Peugeot e depois colidiu na entrada de uma loja. Embora tenha-se cogitado no dia a hipótese de um mal súbito do motorista, a tese de que o acidente foi causado por um problema mecânico no ônibus é a mais aceita.

O próprio motorista confirmou a hipótese em depoimento à polícia. ''Ele disse que não conseguiu controlar o ônibus e que o veículo continuou acelerando'', disse ontem Márcia Marcondes, delegada-adjunta da Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran). De acordo com a policial, testemunhas relataram que o motorista teria se desesperado ao percebeu que não conseguia controlar o veículo.

''Entretanto, só será possível apontar a causa exata quando a Criminalística entregar o laudo apontando os motivos. Os peritos têm 30 dias para isso, mas acredito que, pela repercussão do acidente, o laudo será apresentado antes'', comentou a delegada.

Relatos de testemunhas também apontam a hipótese de falha mecânica. As amigas Claúdia Fernandes e Isabel Bertinelli, que estavam no local do acidente anteontem, disseram à FOLHA que ouviram um ''estrondo vindo do ônibus'', bem antes da batida. ''O ônibus estava uma quadra antes de bater, eu ouvi um estrondo e daí ele pegou velocidade'', contou Cláudia. Isabel, por sua vez, disse que quando ouviu o barulho olhou para o ônibus. ''Foi quando eu vi ele bater no táxi'', disse.

A Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs) e a empresa Redentor informaram que a vistoria nos ônibus é realizada a cada seis meses. A última vistoria no veículo envolvido no acidente havia sido realizada em março.

Ontem, foram enterradas em Curitiba as duas vítimas fatais do acidente. Carlos Alberto Fernandes Brantez tinha 63 anos e trabalhava como diretor de patrimônio do Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. Edson Pereira da Silva, 56, era integrante da equipe técnica do Teatro Guaíra. De acordo com as assessorias dos hospitais para onde foram levados os 31 feridos, eles não correm risco de morte e a maioria já havia sido liberada até ontem.

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