Motorista é baleado ao tentar fugir da fiscalização
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
Por Andréa Portella e Uílson Paiva 
São Paulo, 14 (AE) - O perueiro Juan Costa Fernandes, de 21 anos, foi baleado na perna hoje pela manhã durante blitz da São Paulo Transporte (SPTrans). Apesar da aparência de uma operação mais organizada, pelo fato de o Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran) ter participado da ação, voltaram a ser feitas "perseguições" pela Guarda Civil Metropolitana (GCM).
Fernandes foi abordado pelos guardas-civis na Avenida Radial Leste e, de acordo com a SPTrans, saiu do carro, para fugir, e foi perseguido. Num dado momento, Fernandes teria virado e apontado uma arma, que seria de brinquedo, para os agentes da GCM. Foi, então, baleado.
O perueiro foi atendido no Hospital Tatuapé e liberado. O comandante da GCM, coronel Wagner Kourrouski, disse que não houve excessos. "Quando um guarda corre risco de vida, ele tem de se defender."
Contraste - Hoje, pela primeira vez, policiais do CPTran participaram das blitze - 25 pela manhã e 26 à tarde -, com 36 fiscais. Nos dois períodos, a operação foi concentrada na zona sul. Em contraste com as ações da GCM, os PMs efetuaram bloqueios nas avenidas visadas pelos fiscais da SPTrans e não perseguiram os perueiros. No total, foram apreendidos 48 veículos - a maioria legalizada, mas fora do itinerário ou adulterada.
A operação feita em conjunto com os PMs foi marcada pela queda no número de peruas clandestinas apreendidas. Os fiscais da SPTrans, antes exaltados pelas perseguições e manobras perigosas na "caça" aos clandestinos, pareciam deslocados e faziam elogios à GCM.
A abordagem ficou a cargo dos policiais e não mais dos fiscais. "Essa operação vai dar em nada; desse jeito parado eles (os perueiros) se comunicam e dão o fora", disse um dos fiscais, inconformado. De fato, à tarde, durante o bloqueio da Avenida João Dias, zona sul, alguns perueiros, ao ver a fiscalização, deram marcha à ré e fizeram conversões proibidas para escapar do cerco. Nenhum clandestino foi pego naquele trecho.
Em vez da costumeira truculência dos guardas-civis, a abordagem dos PMs foi mais organizada e equilibrada. Não houve bate-bocas. Segundo o comando da Polícia Militar, o sistema adotado visa proteger a população.
"Nosso primeiro propósito é não pôr em risco a vida das pessoas", explicou o tenente Guilherme Augusto Bordini do Amaral. Preocupados também em cumprir normas de trânsito e segurança, os PMs vistoriaram as condições dos veículos. (Colaborou José Gonçalves Neto)


