Leandro Donatti
De Curitiba
A ação da Polícia Militar, para dispersar o movimento dos caminhoneiros anteontem, em Paranaguá, atingiu pessoas que não estavam envolvidas com o protesto. O caminhoneiro Luiz Abel Chila, 58 anos, foi uma das vítimas da PM e garante que levou pancadas e mordidas de cães sem motivo algum.
Ontem ele foi levado por deputados de oposição até a Assembléia Legislativa, para protestar e mostrar as marcas das agressões.
Abel Chila contou que estava no pátio do Posto Locatelli, de Paranaguá, aguardando uma carga para transportar até Ponta Grossa, quando o terror começou.
‘‘Me tiraram à força do caminhão e me algemaram. Os cachorros e aquele homem (um PM) cuspindo na gente. Nos bateram como se fôssemos burros chucros. Eu nunca fui tão humilhado assim em toda a minha vida. Eles pensaram que eu estava reagindo. Como é que eu iria agredir 250 policiais sozinho?’’, desabafou.
Abel Chila garantiu que não foi forçado a se expôr na Assembléia. ‘‘Estou aqui porque preciso falar sobre o que sofri. Precisava falar’’, insistiu durante a entrevista a jornalistas.
O caminhoneiro mostrou a camiseta que usava durante a ação da PM, que estava manchada de sangue, e emocionado chegou a baixar as calças para expôr os ferimentos nas nádegas provocados pelas mordidas dos cachorros levados a Paranaguá pelo Batalhão de Choque.
A ação violenta da Polícia Militar também deixou ferimento na cabeça do motorista.
Pelo menos duas vezes, o caminhoneiro chorou ao relatar os momentos que passou nas mãos dos policiais.‘‘Eles ainda me levaram ao hospital, mas me tratando como se fosse marginal, um bandido. Se não fosse um promotor (não soube identificar quem), que chegou na hora da desocupação do posto (Locatelli), tudo poderia ter sido muito pior’’, acredita.
O movimento dos caminhoneiros contra o reajuste nas tarifas do pedágio no Paraná perdeu a força ontem na maioria das regiões do Estado. No Norte, as duas principais praças de pedágio – Arapongas e Jataizinho –, que registraram anteontem e segunda-feira manifestações de curta duração e com pouca participação, tiveram ontem um dia de normalidade.
No Oeste do Paraná, também as duas únicas praças de pedágio bloqueadas pelos caminhoneiros durante o protesto foram liberadas na madrugada de ontem. Em Céu Azul e Santa Terezinha de Itaipu, as praças localizadas na BR-277 voltaram a funcionar a partir das três horas da manhã, depois de cerca de 100 policiais militares de Cascavel e Foz do Iguaçu conversaram com os manifestantes. Não houve violência durante a saída dos caminhoneiros.
No Noroeste, o trevo das BR-369 e BR-487, em Campo Mourão, foi liberado ontem por volta das 10h30 pelos caminhoneiros. A pista foi totalmente liberada depois da chegada do comandante do 11º Batalhão das Polícia Militar, major Nélson João Casarolloi, já no final da tarde. ‘‘Eles foram compreensivos e não criaram dificuldades’’, disse o major.Deputados da oposição apresentaram na AL o caminhoneiro Luiz Abel Chila, que esperava carga e foi confundido com manifestantes
Mauro FrassonJosé SuassunaVÍTIMA DA VIOLÊNCIA E DO ENGANOLuiz Abel Chila (acima), 58 anos, na Assembléia Legislativa: momentos de humilhação durante a pancadaria e emoção enquanto relatava o epsódio aos jornalistas. Ao lado, a ação da Polícia Rodoviária ontem, para evitar que caminhoneiros parassem no acostamento da rodovia

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