Imagem ilustrativa da imagem Motorista de Uber é preso suspeito de estuprar jovem de 18 anos em Londrina
| Foto: Fernanda Circhia



Um motorista do aplicativo Uber foi preso preventivamente suspeito de estuprar uma jovem de 18 anos em Londrina. A prisão foi cumprida na manhã desta segunda-feira (18), quando foi apresentado pela Delegacia da Mulher. Conforme a delegada Carla Gomes de Mello, foi uma situação que aconteceu na madrugada do dia 3 de fevereiro deste ano.

"Uma passageira solicitou um transporte para buscá-la na casa de uns amigos e levá-la para a casa dela. No meio do caminho, a passageira e o motorista conversaram. Foi uma conversa normal entre passageiro e condutor. E nessa conversa ela chegou a mencionar que ia chegar em casa rapidinho e iria sair novamente. Disse que iria para a casa de outros amigos", afirma a delegada.

Neste momento, conforme Mello, o motorista de 37 anos perguntou como ela iria para a casa desses amigos e ela respondeu que iria novamente de Uber. Em seguida, o motorista disse que a levaria. No entanto, ainda segundo a delegada, a jovem falou que iria demorar para sair de casa de novo. "Mas ele disse que não teria problema e que a esperaria. Ela acabou aceitando porque nesta primeira viagem não tinha acontecido nada. No entanto, nessa segunda viagem da casa dela até o outro local, acabou acontecendo a violência sexual", relata Mello.

De acordo com as investigações da Delegacia da Mulher, a jovem estava embriagada e o fato foi comprovado pelas testemunhas que foram ouvidas nos autos e até mesmo pelo investigado, segundo a delegada. "Foi comprovado porque depois da situação de violência ele chegou a entrar em contato com ela pelo WhatsApp. E em uma dessas mensagens, que foram cedidas por elas, ele fala 'nossa, moça. Você tava bem ruinzinha ontem. Melhorou?'. Isso deu a entender que ela realmente estava embriagada e que ele sabia disso. E que, portanto, ela não tinha capacidade de consentir ou não a respeito da prática sexual", explica.

Mello ressalta à reportagem que a jovem foi ouvida num primeiro momento e, em seguida, encaminhada ao IML (Instituto Médico-Legal). "O laudo do IML confirmou a violência sexual e a prática de ato libidinoso. O laudo confirmou também a existência de algumas lesões no braço, o que comprova que ela ainda tentou oferecer uma certa resistência. Pelo relato dela, ela chegou a colocar o braço na frente tentando impedir que ele fosse para cima dela. E ele a segurou e deixou hematomas no braço dela, o que ficou constatado no laudo também", declara.

O motorista não tinha passagens pela polícia. "Até porque para trabalhar como motorista de Uber eles pedem os antecedentes criminais", acrescenta a delegada. Mello informa ainda que o inquérito já está concluído. "Só faltava a prisão e a oitiva dele, que fizemos nesta manhã. Durante a oitiva, ele permaneceu em silêncio. Se reservou no direito de falar somente em juízo."

A prisão foi efetuada na manhã deste segunda-feira (18) porque segundo a delegada, quando o crime aconteceu, o motorista estava com um Celta de cor branca, conforme a Uber informou à polícia. No entanto, ele trocou de carro e as investigações ainda não tinham identificado qual era o novo veículo. "Então aguardamos para prendê-lo em casa", afirma.

"Nós trabalhamos bem afinco neste caso. A vítima está bastante abalada. Ela estava com muito medo até porque ele sabia onde era a casa dela. E, por isso, não estava ficando mais lá e também trocou o número de telefone. Porque além de tudo, ele estava tentando manter contato com ela", explica.

O motorista deve responder pelo crime de estupro de vulnerável. A pena pode variar de 8 a 15 anos de prisão.

A Uber lamentou o caso, em nota, e disse que continuará a colaborar com as investigações. A empresa também salientou que não tolera qualquer tipo de comportamento criminoso e repudia qualquer comportamento abusivo contra mulheres.

OUTROS CASOS

Em 2018, 59 casos de violência sexual contra mulheres foram registrados na delegacia. Em 2019, segundo Mello, dois casos além desse estão em fase de investigação.

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