Motorista de ônibus atropela deficiente físico e foge em Belém15/Mar, 17:58 Por Carlos Mendes, especial para a AE Belém, 15 (AE)- O motorista de ônibus Paulo Rocha, de 31 anos, será processado por lesões corporais graves contra o deficiente físico Alfredo Lima, 36 anos. O metalúrgico teve a perna esquerda esmagada ao ser atropelado pelo ônibus da empresa de ônibus Icoaraciense, de Belém (PA), dirigido por Rocha. O motorista fugiu sem prestar socorro à vítima. Com uma prótese na perna direita, Lima contou que na última segunda-feira fez sinal para o ônibus dirigido por Rocha. O motorista parou o veículo, mas arrancou sem esperar que o metalúrgico tivesse subido pela porta da frente. Com o ônibus em movimento, ele segurou no estribo do veículo. Com a metade do corpo para fora e a prótese da perna direita presa na porta fechada, Lima não suportou por muito tempo a incômoda posição.Os passageiros gritaram para que Rocha parasse.Lima caiu e sua perna esquerda foi atingida pelas rodas do ônibus. Socorrido por populares, o metalúrgico foi levado desacordado para uma clínica de Belém.De acordo com boletim médico divulgado hoje pelo cirurgião ortopedista Humberto Maradei, o estado de saúde de Lima é grave. "Ele sofreu fraturas no fêmur, tíbia e perônio e precisa ser operado, mas nós só podemos fazer isso quando melhorar seu estado geral." Nem ligou - "Ele viu que eu estava subindo, mas parecia tão apressado que nem ligou quando eu caí", contou o metalúrgico. A polícia abriu inquérito e indiciou Rocha por lesões corporais culposas e omissão de socorro. Condenado, ele pode pegar de dois a quatro anos de prisão. "Houve imprudência e crime de omissão", disse o delegado Marcílio Diniz. "Não fui eu. Só fiz quatro viagens naquele dia e em nenhuma aconteceu qualquer problema", argumentou o motorista. Quatro testemunhas desmentiram Rocha, apontando-o como responsável pelo atropelamento. A direção da empresa Icoaraciense informou que demitirá o motorista se ficar comprovado no inquérito que ele foi o responsável pelo acidente. A Associação Paraense de Pessoas Deficientes (Appd) revela que casos como o de Lima vêm ocorrendo com frequência.O presidente da entidade, Joderci Santa Brígida, diz que nos últimos anos pelo menos 100 casos de quedas deficientes físicos e de cegos em ônibus foram registradas. "Há muita discriminação mas ninguém toma providências."

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