O atropelamento de uma criança de apenas 4 anos quase se transformou em tragédia na tarde de ontem, em Londrina. Parentes e amigos da criança que passavam o Natal em família, cercaram e agrediram o motorista, que conseguiu correr até a casa da mãe, a poucos metros do local onde ocorreu o acidente. Mas ele foi agredido novamente quando tentava sair da casa com o carro. Três viaturas da polícia foram ao local e conseguiram evitar o linchamento. O teste do bafômetro acusou o dobro da quantidade de álcool permitida pela legislação de trânsito.
O atropelamento aconteceu por volta das 15h30, na rua Fernando Antunes dos Santos, em frente ao número 153, no Jardim Pacaembu II (Zona Norte). De acordo com familiares, o menino Caíque Marques de Melo brincava na calçada quando resolveu atravessar a rua. Segundo os familiares da criança, Ilton Souza Santos vinha com o Passat e colheu o garoto, arrastando-o pela rua. ''Ele viu o menino, não freou o carro e não queria prestar socorro'', afirmou o tio do menino, Gilberto Lima dos Santos, que confirmou a agressão ao rapaz. ''Nós cercamos ele aqui, porque ele queria fugir com o carro. Eu ia bater até matar, mas a polícia chegou'', afirmou revoltado com a situação.
A criança foi encaminhada pelo Siate ao Hospital Infantil onde ficaria em observação até a noite de ontem. Segundo o pai, Otamiro Aparecido de Mello, que acompanhou o filho ao hospital, o garoto sofreu várias escoriações pelo corpo e teve um ferimento na cabeça. ''Ele ficou bastante machucado mas graças à Deus não é nada grave. Foi um grande susto''. A família mora numa chácara no Limoeiro e veio passar o Natal na casa de um sobrinho. A mãe do menino, Lucinéia da Luz Marques, chorava muito e era consolada pela família.
O pai do garoto não acompanhou a confusão que aconteceu no bairro. ''Vi que o pessoal ficou revoltado, mas pedi para que não fizessem nada, apenas chamassem a polícia. Não sabemos se ele estava bêbado ou não. O mais importante agora é que o meu filho está bem''.
O soldado de trânsito Fernando Ferreira Costa, que atendeu a ocorrência, acompanhou o motorista até a Polícia Rodoviária de Ibiporã, onde foi realizado o teste do bafômetro. O exame acusou que o motorista ingeriu 0,71 miligramas de álcool, quando o permitido pela legislação de trânsito é de apenas 0,30 miligramas. ''É o dobro do permitido'', informou o policial, que encaminhou o acusado até a Central Integrada de Triagem (CIT), na 10Subdivisão Policial (SDP). Ele seria encaminhado para a delegada de plantão, que poderia mantê-lo preso ou mesmo arbitrar fiança.
De acordo com o policial o rapaz apresentava várias escoriações pelo corpo, porque foi bastante agredido pelos populares. ''Tivemos que tirá-lo rapidamente do local porque o fato causou bastante comoção nas pessoas''. A reportagem da FOLHA procurou a família de Ílton Santos, mas ninguém quis comentar o assunto.

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