Bandeirantes – O motorista do ônibus de turismo que se acidentou na segunda-feira na BR-369, em Bandeirantes (Norte Pioneiro) e matou oito pessoas, prestou depoimento ontem e relatou que o veículo já saiu de São Paulo com problemas no sistema de freio. Segundo a polícia, ele afirmou ainda que a empresa tinha conhecimento da deficiência.
José Carlos Vieira admitiu que estava em excesso de velocidade no momento do acidente e que acionou os freios na tentativa de evitar a colisão. "Ele garantiu que antes de iniciar a viagem informou a empresa que o ônibus tinha um problema no freio motor, mas mesmo assim a viagem foi autorizada. Com o problema mecânico e a alta velocidade, ele não conseguiu evitar o acidente", relatou o delegado de Bandeirantes, Michael Araújo, responsável pelo inquérito policial.
Ainda em depoimento, Vieira teria confirmado que recebeu duas multas por excesso de peso na volta de Foz de Iguaçu. O motorista até mudou o percurso para evitar passar por uma outra balança e correr o risco de uma nova penalidade. O trajeto inicial seria por Assis, no interior paulista, e não pela BR-369.
"O excesso de peso não foi pelas bagagens, já que não era um ônibus de sacoleiros e sim de turistas. O motorista informou que o veículo passou por uma reforma na sua estrutura para a implantação de ar-condicionado, por exemplo, e isso aumentou em duas toneladas o peso do ônibus", afirmou o delegado.
Já foram ouvidas 23 pessoas no inquérito policial e o delegado pretende interrogar ainda os cinco passageiros que seguem internados. Os dois proprietários da empresa de turismo serão ouvidos por carta precatória em São Paulo.
O delegado aguarda também os laudos mecânicos e do tacógrafo, que estão sendo confeccionados pelo Instituto de Criminalística (IC) de Londrina e devem ser concluídos até segunda-feira, e os laudos necropsiais das vítimas fatais.
"Se for confirmado que a empresa tinha conhecimento do problema no freio e que o excesso de peso danificou ainda mais o sistema, além do motorista, os responsáveis pela empresa também poderão responder por dolo eventual", frisou Araújo.
Dos cinco pacientes que ainda não receberam alta, dois seguem internados na Santa Casa de Bandeirantes, dois na Santa Casa de Cornélio Procópio e um, em estado grave, no Hospital Universitário (HU) de Londrina. De acordo com a assessoria de imprensa, a família de Patrick Barbosa Pinto, de 19 anos, solicitou que não fossem mais divulgadas informações sobre o estado de saúde dele. A reportagem procurou a Giltur Viagens e Turismo, mas a empresa não se pronunciou.

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