Motociclistas protestam contra aumento do DPVAT
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sexta-feira, 03 de outubro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Motociclistas realizaram na tarde de ontem, em Curitiba, uma manifestação contra o aumento do seguro obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT), previsto para o primeiro semestre de 2009. Além do acréscimo no valor do DPVAT, os motociclistas alegam que o dinheiro do seguro está sendo usado de forma indevida pelos hospitais.
Um grupo de 70 motociclistas saiu do estádio Pinheirão, fecharam o cruzamento entre a rua Marechal Deodoro e a avenida Marechal Floriano Peixoto durante 15 minutos e depois seguiram para o Centro Cívico. A cobrança e a utilização do seguro é polêmica. ''É a máfia do DPVAT'', acusa Robson Prado, presidente do Sindicato dos Motociclistas Profissionais Autônomos (Sindimotos).
Na opinião do presidente do sindicato, os hospitais estariam se apropriando de forma indevida do dinheiro do seguro - entre R$ 2,7 mil em caso de acidentes e R$ 13,5 mil em caso de morte. ''Os hospitais fazem o acidentado ou sua família assinar os papéis do DPVAT no meio de outros papéis e acabam resgatando todo o dinheiro do seguro. O motociclista não usa esse dinheiro, quem usa são os hospitais'', explica.
A Federação dos Hospitais do Paraná (Fehospar) esclareceu que, conforme legislação, a indenização referente a despesas médicas e hospitalares é paga sempre sob a forma de reembolso, feito em favor de quem comprovadamente custeou a assistência - a própria vítima ou um terceiro (pessoa física ou jurídica) - incluindo quem prestou o serviço.
Ainda de acordo com a federação, não procede a informação de que vítimas de acidentes, com exceção de casos de morte e invalidez, têm direito ao recebimento da indenização, hoje com limite máximo de R$ 2,7 mil. ''Os hospitais e demais serviços de saúde, quando acionado o seguro do Dpvat, recebem pelo atendimento prestado, não havendo ressarcimento pelo sistema público ou cobrança em duplicidade, considerando-se os sistemas de auditagem que confrontam dados das duas modalidades'', informou em nota.
Organizado pelo Sindimotos em parceria com a Congregação de Clubes de Motociclismos e Congêneres do Paraná (CCMCPR), os manifestantes protestaram ainda contra o aumento do seguro obrigatório proposto pelo governo, que alega que o reajuste é necessário devido ao número crescente de acidentes de motocicletas no Brasil. De acordo com Prado, o motociclista paga R$ 233,31 por ano de DPVAT. Após o reajuste, o valor vai para cerca de R$ 314. ''Enquanto isso, o seguro do carro não passa de R$ 110'', argumenta.
Os motociclistas aproveitaram a manifestação para discutir outros assuntos da categoria. Dois ofícios com pedidos, um para a Prefeitura e outro para a Câmara de Deputados, pedem pistas somente para o tráfego de motocicletas, querem que a cobrança em estacionamentos públicos não seja igual a de carros e, por fim, que apenas o usuário da moto possa resgatar o dinheiro do DPVAT no final do tratamento.


