Motociclista é morto em acidente provocado por mulher embriagada
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quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Isabela Fleischmann<br>Reportagem local 

A combinação álcool e direção fez mais uma vítima em Londrina, o porteiro Júlio César Fontana, 41. Na noite de terça-feira (14), ele retornava do trabalho para sua casa em Cambé, pilotando uma Honda Biz quando foi atingido violentamente por um carro. O acidente foi na BR-369, nas proximidades do Parque de Exposição Ney Braga. Ele foi socorrido pelos serviços de atendimento, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local.
A motorista do Toyota Etios que bateu na moto, Luciana Vieira Siqueira, 32, segue na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital do Coração. Ela está sob escolta da equipe da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e será encaminhada para prestar esclarecimentos à Polícia Civil assim que receber alta. Segundo Marcos Pierre, inspetor-chefe da PRF em Londrina, Siqueira se submeteu ao teste do bafômetro, que constatou 0,64 miligramas de álcool por litro de ar expelido após o acidente.

Conforme Pierre, pelas novas determinações da lei seca, o motorista que for flagrado com dosagem alcoólica de 0,05 mg/l até 0,33 mg/l de ar expelido no etilômetro, comete uma infração gravíssima e tem de pagar uma multa de quase R$ 3 mil reais. O condutor também pode sofrer sete pontos na carteira, além da suspensão do direito de dirigir por um ano.
Índices superiores a esses, além das medidas administrativas já citadas, são tratados como crime pela Justiça. "Caso o motorista provoque um acidente que resulte em morte ou lesão grave, estando sob influência de álcool, poderá ser condenado a uma pena de cinco a oito anos de reclusão", explica o inspetor.
A liberdade provisória somente poderá, neste caso, ser concedida pelo juiz. Em suma, não é mais possível o pagamento de fiança na delegacia de polícia.

O advogado de Siqueira, Rodrigo Campana Castro, disse à FOLHA que não conversou ainda com a cliente e espera sua saída do hospital. "Mas ela provavelmente será presa já que a nova lei não permite fiança", disse. Siqueira é bacharela em direito, mas a reportagem não encontrou qualquer registro na Ordem dos Advogados.
O motociclista deixa a mulher, Maria Zenaide Fontana e um enteado, Alex Souza, 20, com quem morava em Cambé. Fontana também tinha uma filha de 12 anos, Mariane Trentine Fontana, de um relacionamento anterior.
"Ele ficou um tempo procurando emprego, faz um mês que conseguiu. Estava feliz", lamentou Ariel Fontana, 27, sobrinho do porteiro. Ele contou que soube do acidente por meio de uma testemunha, que recolheu o celular do tio.
Por volta das duas da manhã, a testemunha localizou outro sobrinho da vítima e avisou "estou com o celular dele aqui, ele acabou de sofrer um acidente e morreu", contou Fontana. "Na hora meu primo não acreditou muito. Fomos para a casa da minha tia e ligamos para a polícia, que não nos deu muita informação". A família teve a confirmação do óbito próximo das três horas da manhã.
"Ele [a testemunha] disse que ela [Siqueira] veio em alta velocidade indo para Cambé, bateu nele e capotou o carro. Disse que ela estava embriagada. Quando a gente foi lá já não tinha mais nada, depois vimos fotos do acidente e o valor do bafômetro", relatou Fontana.
Outras pessoas disseram que Siqueira vinha, desde a Avenida Tiradentes, furando semáforos em alta velocidade, conforme explicou o sobrinho. "Ela tinha quase atropelado outra pessoa no semáforo anterior. Não é uma pessoa que não sabe das coisas. Ela é formada em direito. Sabia o que estava fazendo", expôs Ariel.
Abalado, Souza lamentou a morte de seu padrasto. "Não tem nem o que dizer. É capaz de não acontecer nada com ela [a motorista], ela conhece a lei e pode se esquivar", disse, após reconhecer o corpo de Fontana na tarde desta quarta-feira (15). "Moto é muito vulnerável", lamentou o estudante.
A velação do corpo teve início na noite desta quarta e segue até às 10h de quinta-feira (16), na Casa de Velório do cemitério de Cambé. O sepultamento será em seguida, em Rolândia.
ACIDENTE NA DEZ DE DEZEMBRO
O caso lembra outro atropelamento por embriaguez ocorrido em maio deste ano, quando Daiana Freire, 37, avançou o sinal vermelho e atingiu a traseira de uma motocicleta que Jean Goulart Camargo, 26, conduzia com Eliede Oliveira, 42, como passageiro.
À época, os policiais militares fizeram o teste do bafômetro na indiciada, que constatou quase o dobro de decigramas de álcool por litro de sangue permitido por lei, mesmo mais de uma hora após o acidente. Freire tinha sido presa em flagrante, mas após três dias foi autorizada a responder o inquérito em liberdade. No mês passado, o Ministério Público pediu que o caso fosse à júri popular, o que poderia elevar a pena de oito para 20 anos. A Justiça ainda não decidiu sobre o caso.


