Motoboy teria usado carro em crimes
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sexta-feira, 21 de agosto de 1998
Crispim Alves Agência Folha 
A Polícia Civil de São Paulo procura agora um Voyage de cor escura que teria sido utilizado por Francisco de Assis Pereira, que confessou ter assassinado nove mulheres, para levar duas de suas vítimas ao Parque do Estado. De acordo com o delegado Carlos Targino da Silva, titular da 4ª Delegacia de Lesões Corporais do DHPP (Departamento de Homícidios e Proteção à Pessoa), Pereira utilizou esse carro ao atacar uma das vítimas de estupro que sobreviveram.
Segundo o depoimento dessa vítima, cujo nome não foi revelado, Pereira a abordou no centro de São Paulo com um revólver pequeno. Essa foi uma das duas mulheres que o motoboy atacou com um revólver. Após a abordagem, o réu obrigou a moça a ficar no banco traseiro do carro de cabeça baixa. Antes de entrar, a vítima observou que o carro não tinha a placa traseira.
Durante o trajeto até o parque, a vítima percebeu também que o carro foi posto em funcionamento por meio de uma ligação direta, o que, em tese, pode indicar que o veículo foi roubado. Ainda não sabemos que carro é esse , disse o delegado, que também não descarta a possibilidade de o veículo não ter sido roubado.
A outra vítima foi abordada perto do parque do Estado. Segundo o seu depoimento, Pereira encostou ao seu lado e disse: Estou armado, me acompanhe. A mulher, cujo nome também não foi fornecido, percebeu que o motoboy escondia a arma embaixo de uma blusa.
Depois da abordagem, os dois foram até o terminal de ônibus, onde entraram em um trolebus que os levou até o parque. Já na mata, Pereira guardou a arma em uma pequena bolsa. Em seguida, espancou e violentou a vítima. De acordo com o delegado, a maioria dos casos de estupro ou atentado violento ao pudor nos quais as vítimas não foram assassinadas aconteceu no primeiro semestre de 1997 - em princípio, antes de Pereira passar a assassinar as mulheres.
Silva declarou que deve indiciar o motoboy na próxima semana, mesmo com o fato de ele estar negando esses crimes. Pereira, que anteontem foi indiciado em mais sete mortes, já está sendo processado pelo assassinato de Selma Ferreira Queiroz, supostamente sua última vítima.


