Motoboy nega assassinato de vendedora
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quinta-feira, 15 de outubro de 1998
Agência Folha 
O motoboy Francisco de Assis Pereira, 31 anos, negou ontem qualquer responsabilidade na morte da vendedora Patrícia Gonçalves Marinho, 24 anos. Ele foi interrogado durante uma hora e meia pelo juiz José Ruy Borges Pereira, do 1º Tribunal do Júri, em processos onde é acusado por três assassinatos ocorridos no parque do Estado (zona sudeste de São Paulo).
O depoimento à Justiça contradiz o inquérito policial, no qual Pereira, o maníaco do parque, confessa o crime. A vendedora desapareceu no dia 17 de abril, depois de sair do trabalho em uma loja na rua Direita (região central de São Paulo). Seu corpo foi encontrado em 28 de julho. De acordo com os documentos policiais, no entanto, Pereira admitiu o crime em 28 de agosto, dando detalhes da execução.
Ele teria dito à polícia que conheceu Patrícia em uma galeria da rua 24 de Maio (região central), de onde os dois seguiram de moto para um suposto
acampamento no parque do Estado. Na mata, segundo o inquérito policial, Pereira teria matado a vendedora por asfixia usando os cadarços do coturno dela. Ontem, no entanto, Pereira disse ter confirmado a autoria do homicídio porque sofreu pressões .
Em depoimento confuso, o motoboy afirmou inicialmente que a polícia o fez ler jornais e ver fotos de Patrícia para depois construir uma história sobre a vendedora. Disse tudo isso com base no que li e na minha vida , declarou. Em seguida, ele disse ter confundido Patrícia Gonçalves Marinho com uma mulher de nome Patrícia com quem namorou e que também levou ao parque, mas que saiu com vida da mata.
Segundo o juiz Ruy Borges, as declarações do motoboy serão encaminhadas à Corregedoria da Polícia Civil. Nem a família do acusado, nem a advogada de defesa de Pereira deram detalhes das supostas pressões a que ele teria sido submetido durante o inquérito. O motoboy também depôs ontem sobre o assassinato da telefonista Rosa Alves Neta, 21 anos. Ele admitiu ter matado Rosa.
No terceiro interrogatório, sobre uma vítima não identificada cujo cadáver foi encontrado ao lado do corpo de Rosa, o motoboy disse apenas não ter nenhuma lembrança do crime. Mas também não sei se não matei , afirmou. Pereira é acusado de nove homicídios. Para a polícia, ele confessou sete desses casos e disse ter matado também outras duas mulheres, que não tiveram os corpos encontrados.


