Joaquim Távora - O motoboy Joelson Gomes Ferreira, de 29 anos, que em janeiro deste ano manteve a família da ex-mulher em cárcere privado por 31 horas, em Joaquim Távora (Norte Pioneiro), foi solto na tarde de ontem e vai cumprir prisão domiciliar. Ele estava preso na carceragem da 35ª Delegacia Regional de Polícia (DRP) havia sete meses e foi liberado por progressão de pena. De acordo com o delegado Rubens José Perez, há 30 dias Ferreira foi condenado a seis anos pelos crimes de cárcere privado e porte ilegal de arma de fogo (revólver 38 com numeração raspada).
Como as penas inferiores a oito anos, devem ser cumpridas em regime semiaberto. Sem vagas disponíveis para presos do semiaberto no Paraná, o motoboy foi beneficiado com o regime aberto. "Ele deveria cumprir a pena em uma Colônia Agrícola Penal, mas como o Estado não dispõe de vagas nestas unidades, vai cumprir a pena em liberdade, com restrições", explicou o delegado.
Ferreira terá que prestar oito horas de serviço comunitário e não poderá ficar nas ruas após as 20 horas nem frequentar bares e estabelecimentos do gênero. Segundo Perez, Ferreira teve "comportamento exemplar" durante o período que ficou preso. "Nunca tive uma reclamação. Ele se descontrolou no início, mas aos poucos percebeu a besteira que fez e se acalmou", contou. O motoboy se comprometeu a retornar para Curitiba, onde mora. Segundo determinação da Justiça, ele poderá ver o filho de 5 anos uma vez por mês, em datas agendadas entre a Vara da Infância e da Família e a mãe do menino.
Conforme o motoboy, o estopim da confusão foi o impedimento de ver o garoto, imposto principalmente pelo pai da ex-mulher. Ele confessou ter perdido a cabeça, mas garantiu que nunca teve a intenção de machucar ninguém. O cárcere causou alvoroço após a suspeita de que Joelson Ferreira estaria com armamento pesado e até dinamites.
O caso mobilizou grupos de elite da Polícia Militar, como o Esquadrão Antibombas, o Batalhão de Operações Especiais (Bope), Unidade de Gerenciamento de Crises, com negociadores profissionais, além de militares da região e até um helicóptero. Ao todo, cerca de 70 policiais trabalharam na operação.

mockup