O motoboy Francisco de Assis Pereira foi indiciado ontem à noite na Divisão de Homicídios como autor do assassinato da balconista Selma Ferreira Queiróz, de 18 anos, ocorrido na tarde de 3 de julho nas matas do Parque do Estado, em São Paulo. Pereira é acusado de homicídio doloso (com a intenção de matar) e de atentado violento ao pudor. Pelos dois crimes poderá ser condenado a uma pena total de 38 anos.
‘‘Eu e minha equipe temos convicção e provas de que Pereira matou Selma’’, disse o delegado Jurandir Sant’Anna, diretor da Divisão de Homicídios, justificando a decisão de indiciá-lo’’. As provas a que se refere o delegado são a cédula de identidade queimada da balconista, encontrada no esgoto da empresa onde Pereira trabalhava como motoboy, e o reconhecimento da voz do acusado pela irmã de Selma.
No sábado, um dia depois do desaparecimento e da morte de Selma, um homem telefonou para a casa da moça no começo da noite afirmando que ela tinha sido sequestrada. Para libertá-la, exigia a senha do cartão de crédito e um depósito de R$ 1 mil na conta. Telefonou outras quatro vezes exigindo o dinheiro. A última foi às 22 horas.
A irmã ouviu uma gravação de Pereira falando sobre uma competição de patins e não teve dúvidas que a voz era a mesma. Pereira negou ser o responsável pela morte de Selma e das outras sete mulheres. ‘‘Ele pode negar, mas temos as provas’’, explicou Sant’Anna.
Selma saiu de casa, em Cotia, na Grande São Paulo, na manhã do dia 3 para ser submetida a um exame médico e poder receber o dinheiro da homologação do contrato de trabalho na drogaria onde trabalhara. Esteve no médico, na Liberdade, centro da cidade, saiu às 15h30 e desapareceu. Aos pais dissera que se o exame demorasse assistiria ao jogo do Brasil com a Dinamarca no telão da Avenida Paulista, às 16 horas.
A polícia acredita que foi ali que o motoboy conheceu Selma. Em seguida, ainda segundo a polícia, a levou de moto para o Parque do Estado, onde a matou por estrangulamento. Selma foi encontrada somente de calcinha.
O inquérito do assassinato da balconista deverá ser concluído na próxima semana e será mandado para a Justiça com o pedido de prisão preventiva.
Dizendo-se ter sido atacada na tarde do dia 9 de novembro do ano passado, a operadora de caixa S.C.O, de 19 anos, resolveu procurar a polícia pela segunda vez ontem para reconhecer Pereira e contar os momentos de terror e pavor que passou na mata. ‘‘Ele apertou meu pescoço com as duas mãos e dizia ‘‘tá vendo como posso matar voc꒒ e gritava que era um psicopata, que já matara muitas mulheres e todas estavam enterradas naquele lugar.’’
Morena, S. conheceu o motoboy na pista de patins do Parque do Ibirapuera. Falou que ela era bonita, tinha o perfil da moça que procurava para ser manequim de cosméticos. A conversa foi convincente. O salário, de R$ 700,00, foi aceito e durante todo o tempo em que ficaram no Ibirapuera, Pereira, segundo a caixa, foi educado, dócil. ‘‘Mas quando chegamos na trilha da mata, lá no parque, ele virou um monstro.’’ Acreditando que seria morta, S. resolveu tentar fugir. Empurrou o motoboy, que estava sem as roupas, e correu pelo mato. Conseguiu chegar até uma rua e entrou numa casa pedindo ajuda.
Outra moça, M., estudante de 20 anos, também esteve ontem na sede do DHPP para denunciar que foi atacada pelo motoboy, no dia 23 de março. Segundo M., ele a teria abordado na Estação Saúde do metrô e levado ao parque. No local, ela teria sido amarrada em uma árvore com o sutiã, espancada e mordida em várias partes do corpo. Mas garantiu que não foi estuprada. (Colaborou Carlos Rydle)Agliberto Lima/AEAcusaçãoS.A.O. deixa a Delegacia de Proteção à Pessoa, após prestar depoimento e identificar Francisco de Assis Pereira como o homem que a estuprouRenato Lombardi
Agência Estado

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