Dizendo que se transformava numa criatura demoníaca e saia para caçar e matar mulheres, o motoboy Francisco de Assis Pereira, de 30 anos, contou ontem à tarde ao juiz José Ruy Borges Pereira, do 1º Tribunal do Júri, de São Paulo, como matou a balconista Selma Ferreira de Queiroz, de 18 anos, na noite de 3 de julho no Parque do Estado. Mais de 200 pessoas, em sua maioria mulheres - advogadas e estagiárias de Direito -, ouviram Pereira confessar com naturalidade e frieza que levava as moças para o parque, as violentava e as matava por estrangulamento ou enforcamento. ‘‘Matei Selma no mesmo dia’’, afirmou.
Diante da dúvida se Pereira é um doente mental, o juiz determinou que seja submetido a exame de sanidade mental com os psiquiatras Sérgio Paulo Rigonatti, Antônio Carlos Justino Cabral, Maria Adelaide de Freitas Caires e Hilda Clotilde Penteado. Em 30 dias eles dirão se o motoboy tem problemas mentais.
O motoboy contou ter passado a frequentar o Parque do Estado em 1997 quando matou pela primeira vez. ‘‘Matei a Pituxa. A gente ia para uma pista de patinação em São Bernardo e na Imigrantes decidi entrar na mata e a enforquei’’. O corpo não foi encontrado. A polícia tenta saber se o apelido é verdadeiro. Pereira caiu em contradição quando o juiz pediu a confirmação do estupro da colega Silvia, em 1994. Era uma amiga de patinação e o crime ocorreu no Parque do Estado. ‘‘Sim senhor, eu fiz aquela besteira com ela’’.
O juiz quis saber porque ele afirmou ter passado a frequentar o parque a partir do final de 1997 se em 1994 já tinha estuprado a colega. ‘‘É que com a Sílvia foi fora da mata’’. O senhor nunca teve vontade de levar homens ao parque?, perguntou o juiz. ‘‘Nunca’’.
O promotor Edilson Bonfim voltou a dizer ontem que o motoboy Francisco de Assis Pereira é um grande mentiroso. ‘‘Ouvindo o relato deste criminoso dá para concluir ser ele um farsante’’. Bonfim acompanhou o interrogatório do maníaco do parque e declarou que cada vez mais fortalece a sua convicção que se trata de uma ladrão e assassino que tem carteira de identidade, de trabalho e endereço fixo.
Para o promotor, dependendo do resultado do exame de sanidade mental ele vai solicitar que seja refeito com outros psiquiatras. ‘‘Pelo que ouvimos aqui o maníaco não contou nenhuma novidade e confessou os fatos que a polícia conseguiu provar’’.
Irritado com a maneira fria de Pereira que em momento algum se abalou, o promotor explicou que ele continua mentindo. ‘‘Toda a confissão ele atribui ao lado maligno e não apresenta justificativa’’.
Desde a semana passada quando foi indicado para atuar nos processos do maníaco, Bonfim não concorda com a tese dos advogados de defesa. Eles alegam ser Pereira um doente e não sabia o que fazia durante os assassinatos. ‘‘É muito santo e demônio para uma história comum’’.
O juiz José Ruy Borges Pereira permitiu ao promotor e à defesa uma pergunta ao réu. Bonfim quis saber de Pereira se era a primeira vez que estivera no Paraguai e na Argentina. O maníaco respondeu sim. O promotor disse que ele mentiu e que vai provar.

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