O motoboy Francisco de Assis Pereira confessou ser o autor da morte de nove mulheres no parque do Estado (zona sul de São Paulo) e levou ontem de manhã a polícia até o nono corpo, supostamente de Isadora Fraenkel.
Por volta das 8 horas, Pereira conduziu policiais do DHPP (Departamento de
Homicídios e Proteção à Pessoa) pela mata cerrada do parque do Estado, na altura da divisa de São Paulo com Diadema, até uma clareira, onde foi localizado um corpo em estado avançado de decomposição.
‘‘O suspeito (Pereira) indicou o local e a ossada encontrada como sendo de Isadora’’, disse o diretor do DHPP, Marco Antonio Desgualdo. A confirmação do corpo de Isadora depende de exames no IML, que devem sair dentro de 15 dias.
A advogada do motoboy, Maria Elisa Munhol, confirmou ontem que Pereira confessou os assassinatos e que, a partir de agora, irá alegar que um ‘‘transtorno de personalidade’’ teria motivado os crimes cometidos pelo
acusado.
O depoimento oficial de Pereira começaria ontem à tarde. Pereira foi conduzido ontem de manhã por quatro investigadores do DHPP à casa de sua advogada, na Liberdade (centro). O suspeito, sua advogada e os policiais partiram em uma Veraneio para o parque do Estado.
Após 20 minutos de caminhada na mata, Pereira localizou o corpo. O motoboy conduziu os policiais para mais outros dois locais, onde poderia haver um décimo corpo, que não foi localizado. Segundo policiais que o acompanharam, o suspeito parecia confuso em relação aos locais e ao número de vítimas.
Durante a terceira revista na mata, a polícia encontrou uma bolsa preta contendo uma escova de dentes e a carteira de identidade de Cilene Oliveira de Souza. A polícia não tinha a confirmação, até as 13 horas, se se tratava de uma mulher desaparecida.
A reportagem acompanhou parte da incursão de Pereira com os policiais pelo parque do Estado. Ele aparentava estar calmo e chegou a fumar um cigarro em uma clareira. Depois circulou - algemado a um investigador - pelo acostamento da rodovia Imigrantes, o que chamou a atenção de curiosos.
Pereira foi levado de volta ao DHPP às 10 horas. O comerciante Claudio Fraenkel, pai de Isadora, acha que o corpo é realmente de sua filha. Apesar de ter afirmado anteontem que já esperava a morte da filha, ele disse estar ‘‘perplexo’’ com o encontro do corpo. ‘‘Há dificuldades para entender essa notícia. Já acreditava que ela tinha sido assassinada, mas a razão é diferente da emoção, sempre havia esperança de encontrá-la viva’’, declarou.
Fraenkel criticou a polícia pela demora em prender o motoboy Pereira. Em 13 de fevereiro, dias após o desaparecimento de Isadora, Fraenkel entregou o nome do motoboy à polícia, pois haviam sido encontrados cheques dela na conta do acusado.Robson Fernandes/AEA nona vítimaPoliciais examinam ossada no Parque do Estado. Após confessar, o motoboy levou a polícia ao local e afirmou a ossada é de Isadora Fraenkel (ao lado)Francisco de Assis Pereira confessou ser o autor da morte de nove mulheres no parque do Estado e levou a polícia a mais um corpo ontem

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