Curitiba - Vários fatores podem contribuir para que uma pessoa seja levada a cometer o suicídio. Entretanto, a maioria dos especialistas no assunto destaca que algumas desordens mentais associadas a problemas do cotidiano aumentam muito as chances de alguém atentar contra a própria vida.
O sentimento de estar isolado da sociedade é uma característica comum à maioria das pessoas que tenta o suicídio. ''Esse é um dos fatores que leva principalmente os idosos a buscar essa saída. Mas o que temos percebido é que entre os jovens, isso anda acontecendo bastante também. A falta de perspectiva, aliada ao fim do diálogo com a família é muito prejudicial'', explica Elaine Nunes, coordenadora do Centro de Valorização da Vida (CVV).
Para Elaine, a competitividade da sociedade moderna também tem contribuído para o aumento nas taxas de suicídio. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), esse tipo de ocorrência aumentou 60% nos últimos 45 anos. ''Há uma cobrança grande do jovem nos estudos e na área profissional, que acaba levando a uma tristeza profunda. Às vezes o caminho encontrado para fugir desses problemas são as drogas, o que pode acabar gerando mais depressão'', explicou Elaine.
A depressão e o uso de drogas têm sido registrados como fatores que podem gerar o comportamento suicida. De acordo com a OMS, cerca de 9% das pessoas que sofrem de depressão grave ou são alcoolistas têm chances de tentar o suicídio pelo menos uma vez na vida. A OMS atribui pelo menos 80% dos casos de suicídio a pessoas com algum tipo de desordem mental. ''Às vezes a pessoa não percebe que está doente. Ela vai a um clínico geral para tentar diagnosticar a causa de seu cansaço e desânimo, sem perceber que o problema não é físico, mas mental'', afirma a psicóloga Sizumi Suzuki.
Se os índices de suicídio são maiores nos países em que o desemprego aumenta, um fenômeno curioso ocorre nos países onde a economia funciona bem. Durante os anos 90, países de primeiro mundo como Áustria, Suíça e Dinamarca lideraram a taxa de suícidios por habitantes em todo o mundo. Uma das teses usadas para explicar esse fato é a do sociólogo Émile Durkheim, que em sua obra ''O suicídio'' afirma que o fato do indivíduo supostamente ter atingido o topo de seu sucesso profissional acaba fazendo com ele se sinta sem perspectiva de avanços na vida, tentando assim o suicídio.

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