Curitiba - Alisson Daniel Martins, de 30 anos, proprietário da empresa de vigilância Impacto e suposto autor dos disparos que mataram o pintor Sidnei Costa Rodrigues, de 24 anos, se apresentou ontem no final da tarde. Ele estava foragido desde a madrugada de sábado, quando ocorreu o crime. Martins se apresentou com advogado na Delegacia de Homicídios de Curitiba, não respondeu a nenhuma pergunta e disse que só vai falar em juízo.
''O motivo é fútil. Ele (o pintor) e o dono da Impacto tinham uma briga antiga e que foi resolvida com a execução. Não ocorreu troca de tiros'', apurou a delegada Iara Dechiche, que investiga o caso. Ela deve concluir o inquérito em dez dias. Martins foi preso e deve ser transferido ontem para o Centro de Triagem II, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Procurado pela reportagem, o advogado Roberto Brezinski não retornou às ligações.
Os quatro vigilantes da Impacto, presos por suposta participação no assassinato apresentaram ontem defesa e um álibi. Nenhum deles confessou participação na morte do pintor. Eles foram presos em flagrante .
''Eles alegam inocência. Cada um apresenta um álibi. Um diz que estava trabalhando na hora. Outro estava em casa com a família. Outro estava dentro da empresa. Nenhum teria participado, segundo depoimento, do ocorrido'', disse a delegada Iara Dechiche.
A Impacto não tinha autorização da Polícia Federal (PF) para funcionar. No entanto, divulgava telefones de contato nas listagens telefônicas e tinha viaturas caracterizadas. Segundo informações de testemunhas ao inquérito policial, o pintor e a mulher dele, Ediane Ribas, de 18 anos, estavam em uma festa na casa de um amigo no bairro Tatuquara. Ele teria percebido que algumas viaturas da Impacto rondavam o local e teria resolvido ir para a casa. Há 15 dias, ele sofria ameaças dos vigilantes, segundo os amigos.
Ediane relatou que o casal e amigos teriam saído de carro quando foram abordados por duas viaturas caracterizadas e duas motocicletas. A mulher contou que eles ameaçaram Sidnei -que teria acelarado o carro. Um pneu foi furado pelos projéteis das armas e Sidnei teria perdido a direção do carro e batido numa mureta. Ele abriu a porta do carro e correu em direção ao mato. Dois dos vigilantes teriam ido atrás, até que um tiro foi disparado. Ediane e os amigos conseguiram fugir. O corpo de Sidnei foi deixado no hospital com um revólver calibre 38 que teria sido roubado.
No inquérito, os indícios são de execução por motivo fútil. Nenhum dos presos nem Sidnei tinham passagem pela polícia.
A empresa de segurança Impacto concentrava as atividades no bairro Tatuquara. Tanto o pintor Sidnei quanto toda a sua família contratavam os serviços para proteção de suas casas, por um mensalidade de R$ 10.
No último dia 17, a casa de Sidnei teria sido atingida por vários tiros. Treze deles ficaram nas paredes e na porta da casa. No último domingo, Sidnei teria sido levado para dentro da empresa e apanhado até as 2h da madrugada. Ele registrou boletim de ocorrência e fez exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

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