A delegada Elisabete Ferreira Sato disse ontem que ‘‘muita gente’’ viu os PMs e os adolescentes em Praia Grande, mas, em razão do medo, se recusa a prestar depoimento formal. Segundo a delegada, a motivação do crime ainda é uma incógnita, e há muitas versões contraditórias sobre a maneira pela qual os adolescentes foram mortos. ‘‘As versões são conflitantes. Cada um viu um pedaço. Estamos tentando juntar tudo para formar uma história coerente’’, declarou.
Um dos pontos obscuros é a quantidade de civis e militares no veículo Blazer da PM. Algumas testemunhas falam em três policiais. Outras, em quatro. Há ainda as que dizem ter visto uma outra pessoa no veículo, além dos PMs e dos adolescentes. Também não está claro se todos os adolescentes chegaram vivos à mata em Praia Grande. Uma das hipóteses dos policiais é a de que um deles - Paulo Roberto da Silva, provavelmente - já estivesse morto, e o corpo tivesse sido carregado pelos outros dois. Outra dúvida é se os policiais ocupantes da Blazer são os mesmos que integravam a guarnição original, composta por quatro PMs.
A delegada Elisabete Sato afirmou que pretende refazer no DHPP todos os reconhecimentos dos possíveis autores do crime já realizados pela PM. Para isso, terá de convocar as testemunhas e solicitar que os sete PMs detidos sejam apresentados no DHPP. Sato também aguarda a conclusão do exame de DNA que o Instituto de Criminalística realiza nos vestígios de sangue achados na Blazer e em restos do corpo dos adolescentes.
Os sete policiais militares presos nunca foram processados ou alvo de investigação em inquérito militar. Todos os presos trabalhavam no regimento de Cavalaria 9 de Julho, uma unidade de elite da polícia paulista. Dos sete presos, as testemunhas reconheceram o sargento José Carlos Ferreira e os soldados Marcelo de Oliveira Christov, Antônio Sérgio Quintas da Costa e Alexandre Serafim de Lara Costa. O tenente Alessandro Rodrigues Oliveira e os soldados Edvaldo Rubens de Assis e Humberto da Conceição estão também detidos, mas não foram reconhecidos pelas testemunhas. Todos estão presos no Presídio Romão Gomes. Segundo o coronel Luiz Carlos Guimarães, eles poderão ser acusados de sequestro, homicídio e ocultação de cadáver.

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