SÃO PAULO - Pelo menos um preso foi morto e outros dois foram feridos ontem à tarde em uma rebelião na cadeia de Ferraz de Vasconcelos (Grande São Paulo). Até as 18h10, os presos ainda mantinham nove familiares de detentos como reféns e tinham em seu poder uma arma de fogo.
Segundo a polícia, os presos chegaram a efetuar dois disparos contra os investigadores. As balas acertaram um Santana estacionado no pátio. A rebelião começou às 12 horas, durante o horário de visitas dos faxinas (presos de bom comportamento), depois de uma fuga frustrada por seguranças da prisão. Oito mulheres e duas crianças, uma delas de 14 dias, ficaram em poder dos rebeldes. Às 16 horas, uma das crianças foi libertada. Os presos reclamam da superlotação da cadeia e pedem a remoção de cem internos para penitenciárias do interior do Estado. A cadeia de Ferraz de Vasconcelos tem espaço para 24 presos, mas abriga 174 detentos. Segundo policiais do Garra (grupo especial da Polícia Civil) chamados para ajudar a evitar fugas na cadeia, pelo menos três presos foram feridos e estendidos no pátio. Os policiais aguardam o fim da rebelião para verificar seu estado de saúde.
Além do Garra, foram chamados para reforçar a segurança em torno da cadeia policiais militares e civis de Poá, Itaquaquecetuba e capital. O diretor do Demacro, o delegado Gerson Carvalho, foi para Ferraz de Vasconcelos negociar com os rebeldes,junto com o diretor da cadeia, Juarez Pereira Campos. Os policiais aguardam a chegada do juiz-corregedor para ajudar a negociar o fim do motim.
A existência do chamado PCC (Primeiro Comando da Capital), uma suposta organização de presos que estaria por trás das rebeliões em estabelecimentos prisionais de São Paulo, já está sendo investigada pelo Ministério Público desde a última terça-feira. Na semana passada, o presidente da CPI da Violência, deputado Afanasio Jazadji (PFL), enviou requerimentos às secretarias da Segurança Pública e da Administração Penitenciária solicitando informações sobre quanto o governo já gastou com depredações de cadeias e se já foram identificados os supostos líderes do PCC.

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