Com o saldo trágico de duas pessoas mortas e dez feridos (um gravemente) terminou ontem de manhã a rebelião na Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná. Uma pistola e um revólver foram entregues à Polícia pelos rebelados. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) divulgou nota ontem informando que foi aberto inquérito para apurar a morte do agente de carceragem e outro para investigar como as armas entraram no ''Cadeião''.
A rebelião começou por volta das 10 horas de terça-feira, após uma tentativa frustrada de fuga. Cerca de 30 presos das alas B e F chamaram os agentes para socorrer um companheiro de cela. Quando os funcionários se aproximaram foram recebidos a tiros e pelo menos quatro deles ficaram reféns. Baleado, o agente Alcindo Jacinto Desidério, de 31 anos, não sobreviveu. O colega de trabalho dele, César Majte, de 33, foi atingido na cabeça e permanecia internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Costa Cavalcanti. Na confusão, o preso Fernando Pendena também foi morto. Outros nove presos foram feridos e estão internados no Hospital das Cataratas.
Os mais de 100 policias civis e militares que cercavam o Cadeião só conseguiram retomar o controle da situação por volta das 8 horas de ontem, quando os rebelados se renderam, entregaram as armas de fogo e liberaram o último agente que era feito refém. Logo após a rendição, segundo a Sesp, a Polícia realizou uma revista minuciosa nas instalações e nos presos. Vários estoques foram recolhidos. ''A rebelião começou porque os presos queriam fugir pela porta da frente da cadeia e foram contidos por uma ação rápida e enérgica da polícia. Infelizmente, perdemos um agente de carceragem, mas vamos apurar e punir o responsável pelos tiros'', disse o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.
A Sesp ainda não calculou os prejuízos causados pela depredação do prédio. ''Vamos levantar para saber o quanto foi depredado e reformaremos o mais rápido possível para manter a segurança da cadeia'', ressaltou o delegado-chefe da Divisão de Polícia do Interior, Luiz Alberto Cartaxo Moura, que coordenou a negociação com os rebelados junto com comandante do Comando de Policiamento do Interior, tenente-coronel Celso José Melo, e com o juiz-corregedor Marcelo Daladenha.
O delegado antecipou que vai identificar os líderes da rebelião e negociar a remoção deles para o sistema penitenciário com a Secretaria de Estado da Justiça e com a Vara de Execuções Penais. O destino da transferência ainda não foi definido.

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