Londrina - Considerada patrimônio imaterial da humanidade, a Capoeira Angola pode ser conhecida na exposição "Eu sou porque nós somos – a capoeira dos sentidos", aberta oficialmente ontem de manhã no Museu de Arte de Londrina e que reúne fotografias, esculturas, instrumentos e vídeos sobre o tema.
As fotos, todas pertencentes ao acervo de Altair Vieira Pereira, mais conhecido como contramestre Angolinha, mostram a evolução da capoeira praticada no Brasil desde o início do século 20 até hoje. O projeto, premiado na terceira edição do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro Brasileiras, tem apoio da Fundação Palmares e patrocínio da Petrobras.
"Quem não conhece capoeira terá a oportunidade de conhecer. E quem conhece poderá observar que os equipamentos passaram por mudanças, mas a prática continua a mesma", conta Pereira.
Mestre Angolinha explica que a capoeira tradicional difere da chamada capoeira regional, mais conhecida dos londrinenses, por se assemelhar à dança. "É mais lenta e tem mais instrumentos. Nunca começamos a roda com a bateria completa", diferencia.
O mestre pratica capoeira há 20 anos, mas só aprendeu a modalidade Angola em 2005, quando viveu em Portugal. De volta a Londrina em 2011, ele dedicou-se a desenvolver a arte na cidade. Hoje, ministra atividades na Vila Cultural Flapt, no conjunto Aquiles Stenghel.
Elena Andrei, presidente da Ong Flapt, lembra que a capoeira faz parte das atividades porque a proposta da vila - coordenada pela Ong e que tem uma biblioteca comunitária – é valorizar os saberes da comunidade e fazer o intercâmbio das artes gráficas com o saber orgânico do País.
Ela conta que a capoeira é um dos elementos mais importantes da história de Londrina. "Na época áurea do café, a vida cultural da cidade girava em torno das chamadas ‘chacrinhas’, que eram casas de prostituição. Era nesses locais que aconteciam os grandes negócios. Nesta época, muitos capoeiristas que estavam sendo perseguidos em São Paulo vieram para a região e passaram a trabalhar como guarda-costas dos grandes fazendeiros. O café acabou depois da geada, mas a capoeira continuou", conta.
A exposição segue até o dia 30. Escolas podem agendar visitas pelo e-mail [email protected].

Serviço:
Veja onde praticar capoeira Angola gratuitamente
Vila Cultural Flapt (R. Vergílio Perin, 985) - Terças e quintas das 19h às 21h, e sábados das 10h às 12h; segundas, quartas e sextas às 19h30
Centro Comuitário Sabbi
(R. Uruguai, 1656) - Terças e quintas das 19h às 20h30 e sábados das 9h às 11h

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