Mostra marca cinquentenário no Peru
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de abril de 1999
Agência Folha 
As comemorações pelos 500 anos de descobrimento do Brasil ganham no dia 14 de maio um reforço insólito, no exterior. A Associação Brasil 500 Anos Artes Visuais, presidida pelo banqueiro Edemar Cid Ferreira, inaugura em Lima, no Peru, uma mostra com cerca de 50 obras de artistas modernistas, entre eles Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Vicente do Rego Monteiro, Flávio de Carvalho, Maria Martins e outros.
A mostra será inaugurada pelos presidentes brasileiro Fernando Henrique Cardoso e peruano Alberto Fujimori no segundo dia da visita de FHC ao país. Fernando Henrique será homenageado pelo governo peruano por ter sido um dos intermediadores, no final do ano passado, do processo de paz entre Peru e Equador. O acordo ocorreu depois de 57 anos de disputas de fronteiras. Antes da visita ao Peru, FHC também terá visitado, nos dias 11 e 12 de maio, o Equador.
A mostra, que ficará em cartaz até 20 de junho, no museu Pedro de Osma, representa um corte curatorial na exposição que a Associação Brasil 500 Anos está organizando sobre toda a produção artística realizada no país, mesmo no período pré-cabralino.
A curadoria-geral do evento é de Nelson Aguilar, que também cura a mostra que está seguindo para o Peru. Ela é a primeira de uma série que será feita pela associação e que tocará cidades como Londres, Paris, Lisboa, Washington e Nova York.
O curador selecionou obras como O Homem Amarelo, de Anita Malfatti, Samba, de Di Cavalcanti, e Bananal, de Lasar Segall, para contar como se deu a ruptura das artes plásticas brasileiras com a matriz européia e como se formou a nova identidade iconográfica brasileira. O primeiro indício dessa mudança seria uma polêmica mostra de Anita Malfatti realizada em 1917.
As obras são provenientes dos acervos dos mais importantes museus e instituições do país, como MAM-SP, Instituto de Estudos Brasileiros (USP), Pinacoteca do Estado de São Paulo e Museu Nacional de Belas Artes (RJ).
A matriz modernista é negra e índia. Ela comporta várias poéticas que tratam de uma realidade sul-americana. O próprio conceito de América do Sul, com que trabalho, é geográfico e não cultural e ideológico, como seria América Latina, disse Nelson Aguilar.
A aproximação da arte modernista brasileira com a realidade do país vizinho se dá ainda com textos do ensaísta peruano José Carlos Mariátegui, que propunha uma revolução artística não apenas a partir de conquistas formais relacionadas às técnicas artísticas, mas a partir de um espírito novo.


