GROZNY, Rússia, 21 (AE-AP) - A grande ofensiva das forças russas contra a capital chechena, Grozny, provavelmente será realizada entre a véspera e o dia de Natal, segundo a agência RIA e a emissora de televisão estatal ORT, ambas da Rússia.
Milicianos de unidades paramilitares chechenos pró-Rússia participariam do assalto à cidade.
Os vários órgãos federais responsáveis pela coordenação do esforço de guerra deram informações conflitantes sobre os planos de um ataque total a Grozny. O ministro da defesa, Igor Sergueyev, negou que haja uma data pré-estabelecida, o ministro do Interior, Vladimir Rushailo, disse em uma entrevista à imprensa que já está pronta a estratégia para a operação da tomada de Grozny, mas não quis dar indicações sobre o prazo para a tomada da capital.
Há três dias os militares estão alistando chechenos em Urus- Martan, em destacamentos comandados pelo ex-prefeito pró-Rússia de Grozny Beslan Gantemirov, a quem Moscou quer converter num dos principais líderes políticos da república. Gantemirov havia sido condenado a 6 anos de prisão por ter desviado fundos federais enviados para a reconstrução da Chechênia após a guerra de 1994- 1996. Ele foi indultado para criar essas unidades paramilitares e lutar ao lado federal.
Soldados russos travaram duros combates hoje com as forças chechenas no povoado de Serjen-Yurt, localizado a cerca de 30 quilômetros a sudeste de Grozny. Essa região é um dos principais acessos para a região montanhosa do sul, onde os rebeldes estabeleceram as suas bases. Caças e artilharia russos bombardearam a área e também a capital chechena. "Ouvi a queda de bombas sem interrupção", disse a refugiada Vakha Ovdanirov, de 60 anos, que deixou a cidade pela manhã em direção à república russa da Ingushétia.
Cerca de 4 mil rebeldes e entre 8 mil e 35 mil civis permanecem na cidade, segundo estimativas oficiais. As forças russas controlam todo o norte da república e mantêm Grozny bloqueada há cerca de três semanas.
O alto comando russo negou que suas forças tenham matado 41 civis durante a operação para a tomada de Alkhan-Yurt, no início do mês. O massacre foi denunciado por um empresário checheno pró-Rússia e diversos moradores, segundo apurou a emissora de TV britânica BBC.

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