Moscou, 01 (AE- ANSA)- O presidente russo, Boris Yeltsin, sofreu hoje (01) um novo revés ao convocar uma reunião de emergência do Grupo dos Oito (os sete países mais industrializados mais a Rússia) a fim de buscar uma solução diplomática para a guerra nos Bálcãs, proposta que foi rechaçada pelos Estados Unidos.
Yeltsin havia pedido hoje a convocação convencido de que o conflito nos Bálcãs pode ultrapassar as fronteiras da Iugoslávia.
Numa breve mensagem pelo rádio e televisão ao país, o líder do Kremlin disse que "a agressão da OTAN" não se detém e "lamentavelmente se estende" e que "pode ser detida apenas voltando- se à mesa de negociações".
"Por isso -acrescentou Yeltsin- encarreguei o chanceler Igor Ivanov a pedir uma reunião urgente dos chanceleres dos países industrializados do G-8" (Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Grã-Bretaña, Itália, Canadá e Rússia).
A iniciativa de Yelstin somou-se à da Santa Sé, a qual se referiu Ivanov, quando disse hoje que Moscou estava pronto para conceder uma eventual (e agora improvável, já que ela também foi rechaçada pelos Estados Unidos) "vitória diplomática a outros".
"Para nós o mais importante é restabelecer a paz", afirmou o chanceler russo.
Ivanov considerou também que a captura de três soldados americanos na fronteira com a Macedônia e a intensificação das operações da Otan são um sinal alarmante de uma ampliação do conflicto.
O chefe da diplomacia russa lembrou que está em perigo a estabilidade da Albânia, Bulgária e Hungria, além da da Macedônia e Bósnia.
Por outro lado, se a crise se estender, as forças armadas russas deveriam assumir novas iniciativas, advertiu Ivanov.
Mas o ministro reafirmou que Moscou não se deixará arrastar para a guerra.
Entretanto, o enviou de um navio de reconhecimento da frota do Mar Negro constitui um sinal: a nave partirá amanhã do porto ucraniano de Sebastopol, atravessará o Bósforo em 3 de abril e deverá chegar no Adriático dia 5.
A missão tem por objetivo "garantir a segurança da Rússia" já que está ocorrendo "uma escalada do conflito e a Otan está entrando na terceira fase da agressão contra a Iugoslávia", disse Ivanov, que defendeu hoje o argumento numa conversa bastante tensa por telefone com a secretária de Estado americana, Madeleine Albright.
Outros seis ou sete navios de guerra russos -que Moscou já fez a necessária notificação de sua passagem pelo Bósforo à Turquía - talvez já partam de imediato para o Mediterrâneo, embora que Yeltsin ainda não tenha tomado uma decisão definitiva.

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