Moscou, 15 (AE-DPA) A paisagem de arranha-céus de Moscou está prestes a transformar-se devido a um programa de construção que poderia dar à cidade até 60 novos arranha-céus inspirados pelos edifícios da era Stalin que atualmente dominam a capital russa.
Foram iniciadas as obras para a construção do primeiro deles, uma versão atualizada do original estalinista e já foram escolhidos os locais para os próximos seis.
O Conselho da cidade de Moscou já deu autorização para a construção de mais 53 nos próximos 15 anos.
Quando Josef Stalin ordenou a construção dos sete arranha-céus monumentais de Moscou - estruturas grandiosas, caracterizadas por suas siluetas de "bolo de noiva" -, logo depois da Segunda Guerra Mundial, estava decidido a provar que a Rússia poderia equiparar-se ao Ocidente em termos de extravagância e inovação arquitetônicas.
"Ganhamos a guerra e somos reconhecidos em todo o mundo como os gloriosos vencedores. Devemos estar preparados para uma onda de visitantes estrangeiros", teria dito Stalin. "O que acontecerá se eles caminharem por Moscou e não encontrarem arranha-céus? Farão comparações desfavoráveis com outras capitais".
O novo projeto faz parte do sonho do prefeito de Moscou, Yury Luzhkov, de ver a cidade regenerada como uma rival das capitais européias. Os blocos neogóticos de Stalin formam um anel no centro de Moscou.
Os arranha-céus de Luzhkov deverão formar um novo anel pouco além do centro. "Todos os 60 edifícios serão um adorno original para a cidade de Moscou", disse o prefeito por ocasião do lançamento da pedra fundamental.
Os luxuosos apartamentos de teto elevado nos arranha-ceus originais foram entregues a membros da "nomenklatura" do Partido, mas os novos deverão ser destinados a um novo tipo de elite.
A empresa construtora, a Konti, espera que as "recem-emergentes classes médias altas" da Rússia estarão dispostas a pagar o preço "para garantir para si próprias um endereço de prestígio com vista panorâmica para Moscou".
O primeiro bloco de 43 andares terá um estacionamento no subsolo, um shopping center, restaurantes e possivelmente um clube noturno e estará situado a 10 minutos de caminhada do centro da cidade, perto da grande área verde do Parque da Vitória. A Konti pretende enfatizar o "meio ambiente ecologicamente limpo" - pois o ar fresco é uma coisa muito valiosa em Moscou.
Pelos padrões russos, os apartamentos não serão baratos: um apartamento de tamanho médio, de dois quartos,custará cerca de 90.630 dólares - um preço que, segundo a própria Konti admitiu, é caro, muito embora o terreno onde os blocos deverão ser construídos tenham sido doados pelo Conselho Municipal.
Grande parte do lucro de 19.9 milhões de dólares que a empresa espera receber em cada bloco voltará para o Conselho e será destinado a renovar os deteriorados "blocos Krushchev" - edifícios idênticos, de cinco andares, em forma de caixa de sapato, erguidos pelo sucessor de Stalin na década de 60 para abrigar a população crescente da capital.
Os edificios estão precisando urgentemente de reparos.
A construtora está à procura de investidores ocidentais, mas, se estes não se interessarem, a Konti não iniciará o segundo bloco enquanto não receber o dinheiro da venda de 444 apartamentos e escritórios no primeiro edifício.
A idéia de lançar um projeto tão grandioso num momento em que a situação econômica da Rússia continua instável causou certa contróversia.
Os arranha-céus, dificeis de construir e bastante caros,
são geralmente preferidos apenas quando o terreno é escasso e exorbitantemente caro, o que não é o caso em Moscou.
Não existe em Moscou nenhuma companhia construtora com a necessária experiência e grande parte do trabalho dos níveis mais altos será entregue a empreiteiras estrangeiras.
Alexander Shchetinin, da Konti, disse que a grande escala do projeto foi concebida tendo em vista a regeneração urbana. " Não se trata apenas de um programa comercial, é também um projeto social. Queremos fazer desse blocos os pontos focais para as áreas circundantes". Cada bloco será ligeiramente diferente, mas haverá uma unidade de estilo no projeto, disse ele. "Não terá a pomposidade dos edificios originais de Stalin, mas cada bloco lembrará as séries originais, recriadas num estilo moderno."
O crítico de arquitetura Grigory Rezvin disse que, com a estimativa de preços aproximadamente duas vezes maiores do que a média em Moscou, duvida que haverá um número suficiente de pessoas interessadas em comprar os apartamentos nesses arranha-céus.
"Estes blocos estão sendo construídos como espaços prestigiosos para se viver. Mas a pesquisa a respeito da realidade da moradia em arranha-céus mostra que psicologicamente é uma vida muito difícil. Nunca se vê o solo, é como viver num aeroplano".

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