Mortos no Timor fazem Brasil pressionar por tropas
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de abril de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira, especial para a AE 
Nova York, 19 (AE) - O embaixador brasileiro na Organização das Nações Unidas (ONU), Celso Amorim, reintroduziu nesta segunda-feira (19) oficialmente no âmbito do Conselho de Segurança (CS) a discussão sobre a situação do Timor do Leste, território da Indonésia que busca independência - uma nova matança, no sábado, na capital Dili, confirmada por diplomatas brasileiros em Jacarta, precipitou a decisão.
Segundo diplomatas, pelo menos 11 pessoas morreram quando paramilitares pró-Indonésia atacaram a residência do ex-governador Manoel Carrascalão - ele fugiu, os manifestantes mataram seu filho de 17 anos e outros familiares.
Agora, dependendo de voto do CS, pode concretizar-se o envio de tropas da ONU para mediar o conflito, que causou quase uma centena de mortos nos últimos dias.
O CS se reúne para discutir Timor na próxima quinta-feira, quando a posição brasileira pode encaminhar uma votação. Neste dia, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, vai presidir a reunião entre os chanceleres da Indonésia e Portugal (antiga potência colonial no Timor).
Com a reintrodução do tema no CS, aumentam as possibilidades do envio de tropas brasileiras para o arquipélago indonésio - o presidente Fernando Henrique Cardoso já se comprometeu com a hipótese publicamente em Portugal, na semana passada.
O embaixador Amorim levou a posição brasileira ao secretário Annan, na reunião de hoje do CS, surpreendendo o governo indonésio, que há décadas consegue evitar sua inclusão na pauta.


