Mortos no terremoto de Atenas já são 62
Atenas, 08 (AE-ANSA) - O número de mortos no terremoto de 5,9 graus na escala Richter que abalou, na terça-feira (07), a região metropolitana de Atenas eleva-se a 62 e o de feridos a 2.000, segundo o Ministério do Interior grego.
O total de desaparecidos é estimado em pelo menos 50. Eles encontram-se sob os escombros de três fábricas e três prédios de apartamentos que desabaram nos subúrbios atenienses de Menidi, Metamorphosis e Nea Filadelfia. Cem pessoas foram resgatadas com vida.
Arqueólogos gregos fizeram minuciosa revisão nos monumentos históricos e encontraram apenas "pequenos danos" em alguns pontos da Acrópole. "Nada importante", tranquilizou, em nota, o Ministério da Cultura.
Os canais de televisão mantêm a programação centralizada no trabalho de resgate dos soterrados. Cerca de 2.000 bombeiros gregos, turcos e técnicos franceses participam da operação. Alguns deles portam microcâmeras de televisão.
As três equipes dispõem de cães farejadores e estão espalhadas por 24 pontos diferentes da Grande Atenas, principalmente na região de Menidi, onde, segundo os sismólogos, ocorreu o epicentro do terremoto.
As fortes chuvas que desabaram sobre a capital grega durante duas horas na tarde desta quarta-feira dificultaram muito a ação dos socorristas que lutam contra o relógio.
Numa operação dramática, eles conseguiram retirar de toneladas de blocos de concreto e ferros retorcidos um garoto de 10 anos. Abriram um túnel horizontal de 12 metros de comprimento até chegar ao menino, idenficado como Yannis Polykandriotis.
"Yannis estava encravado numa saliência entre um cano de calefação e uma máquina de lavar roupas, que impediram a queda de um bloco de concreto sobre ele", disse um socorrista.
Horas antes, duas irmãs de Yannis - de 7 e 8 anos - haviam sido, igualmente, retiradas dali com vida. O pai não teve a mesma sorte. A mãe dele não estava em casa no hora do terremoto (15h56 de terça-feira) e também sobreviveu.
"Yannis não sofre de hemorragia, tem apenas uma luxação no pescoço e pequenos ferimentos num braço e numa perna", ressaltou o socorrista em meio a aplausos de vários moradores do local, que acompanharam, com visível ansiedade, a operação de resgate.
O governo decretou estado de emergência na ática (região de Atenas), adiou para 20 de setembro o início do ano letivo (previsto para hoje), anunciou a distribuição de ajuda de US$ 700 a cada uma das famílias afetadas e um empréstimo, sem juros, para os comerciante que perderam seus negócios.
O primeiro-ministro Costas Simitis calcula que 16.000 pessoas ficaram sem ter onde morar. O terremoto derrubou mais de cem edifícios e avariou centenas de outros, alguns seriamente. Cerca de 500 habitações foram classificadas de "inabitáveis" pelas autoridades.
A zona nordeste da capital grega apresenta uma imagem de devastação.
Milhares de atenienses preparavam-se hoje para passar mais uma noite ao relento. Temiam um novo terremoto e decidiram acampar na rua.
Hoje, ocorreram abalos secundários na cidade durante todo o dia - dois deles de intensidade média, 4,7 e 4,1 graus na escala Richter. O governo cedeu áreas em parques e jardins para armar barracas.





