O sol apareceu pela primeira vez no ano em Minas Gerais, mas a Cedec (Coordenadoria de Defesa Civil) continua a contabilizar mais mortos e desabrigados em decorrência da chuva que atinge o Estado desde o início do ano. O número de pessoas mortas por afogamento ou soterramento subiu para 76. As últimas ocorrências de vítimas fatais foram registradas nas cidades de Ewbank da Câmara (3), Baldim (1) e Juvenília (3). O governador interino de Minas, deputado Agostinho Patrus, assinou ontem decreto reconhecendo o estado de emergência em 44 municípios.
Apesar da chuva ter diminuído, muitas cidades continuam sofrendo com as enchentes, aumentando o número de desabrigados. Até a tarde de ontem, a Cedec havia contabilizado 42.018 pessoas desabrigadas. Outras 3.212 estavam ilhadas. Eram 532 os desabamentos, e 15.088 residências tinham sido alagadas ou atingidas por soterramento.
O gabinete militar do Governo mineiro, que coordena o trabalho da Defesa Civil, informou que o principal trabalho que os órgãos públicos e a Polícia Militar está realizando é restabelecer o acesso às 178 cidades atingidas.
Somente com o acesso restabelecido será possível levar medicamentos, roupas e alimentos para os flagelados, que estão sendo abrigados em todo o Estado.
O 5º Distrito de Meteorologia informou que a chuva deve continuar, mas com muito menos intensidade. A forte chuva, como a que atingiu o Estado, está afastada. As próximas chuvas que devem ocorrer serão em função da alta umidade do ar.
Segundo o governador em exercício, o governo ainda não tem um cálculo dos prejuízos causados com a chuva. Ele disse que isso só será possível quando as águas já tiverem baixado e então se conhecerá, realmente, o tamanho do estrago. ‘‘Sobrevoei algumas cidades e muitas ainda estão cheias de água. Há muitas pontes submersas, não sabemos se elas caíram ou se estão somente trincadas. Mas vamos precisar de bastante dinheiro para recuperar tudo’’, disse Patrus.
Além da destruição de casas, estradas, ruas e pontes, Patrus afirmou que é ‘‘incalculável’’ o prejuízo econômico, já que algumas indústrias foram atingidas, além das principais malhas ferroviárias. Patrus afirmou que já foram gastos cerca de R$ 20 milhões com as enchentes.
O governador Eduardo Azeredo vai antecipar o seu retorno da Europa para acompanhar a emergência. Ele deveria reassumir o governo na segunda-feira, mas chega na madrugada de amanhã a Belo Horizonte.

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