Mortes por tuberculose ainda preocupam no Paraná
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quinta-feira, 24 de março de 2005
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A cada três dias e meio, duas pessoas morrem por tuberculose no Paraná. Foram 204 óbitos em 2003 e 184 em 2004, de acordo com dados do ano passado da Secretaria de Estado de Saúde. Apesar da incidência da doença estar praticamente estabilizada no Estado, o número de mortes ainda é preocupante. Revela que o Estado não está conseguindo diagnosticar a doença precocemente, quando há chances de cura, nem garantir a continuidade do tratamento, que deve ser seguido durante seis meses de forma a garantir que o paciente não continue transmitindo a doença.
''Conseguimos melhorar o tratamento dos pacientes, mas o diagnóstico, de modo geral, ainda é tardio'', avalia Elisabeth Sens, coordenadora do Programa de Doenças Infectocontagiosas da secretaria. Dados de 2004 mostram que o número de casos de tuberculose teve uma pequena redução em relação a 2003. No ano passado foram registrados 2.769 novos casos em todo o Estado, com coeficiente de 27.6 para cada 100 mil habitantes. Já em 2003, foram 2.959 novos casos, resultando em um coeficiente de 29.87 para cada 100 mil.
O Paraná está em posição privilegiada em relação a outros Estados, sendo responsável por 3% dos 92.472 casos de tuberculose detectados no Brasil no ano passado. Esses dados colocam o Brasil no grupo das 22 nações que concentram mais de 80% dos tuberculosos do mundo, embora o País esteja em 85º lugar por incidência proporcional. O índice de cura, no entanto, de 74,3% dos casos, está aquém da meta do Ministério da Saúde, que pretende chegar até o ano que vem a cura em 85% dos casos. A secretaria também tem metas de reduzir a incidência da doença para 10 casos por 100 mil habitantes.
Para isso, um dos desafios é detectar a doença o mais cedo possível. Elisabeth explica que a tuberculose é uma doença infectocontagiosa, causada por um bacilo, e transmissível pela tosse ou espirro. Quando diagnosticada no início, em 15 dias é possível negativar a presença do bacilo causador da doença no organismo. Por outro lado, se a doença não for dignosticada, uma pessoa infectada pode transmitir a tuberculose para cerca de 15 pessoas por ano.
Outro desafio é garantir que quem inicia o tratamento o faça de maneira completa durante seis meses ininterruptamente e assim fique completamente curado. ''Nosso maior problema é o abandono do tratamento'', dz Elisabeth, ressaltando que nesses casos o doente torna-se resistente à medicação. Hoje, 15 pacientes com tuberculose ultra-resistente estão em tratamento no Hospital São Sebastião da Lapa (71 km a oeste de Curitiba) e no Centro de Referência Metropolitana, em Curitiba, onde é feito atendimento ambulatorial.


