Mortes por febre maculosa deixam Paraná em alerta
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Londrina As mortes de duas pessoas no Paraná diagnosticadas com febre maculosa deixaram a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) em alerta no combate à doença. Os óbitos foram registrados em dezembro e janeiro em Londrina e Maringá. No entanto, os resultados dos exames só foram encaminhados nessa semana à secretaria.
Os dois pacientes tiveram contato com o carrapato-estrela, transmissor da doença. O carrapato, infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii, ocasiona a febre maculosa em contato com a pele humana. De acordo com a Sesa, o paciente atendido em Londrina estava de passagem na cidade quando apresentou sintomas da doença. O homem de 48 anos chegou a ser atendido na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Jardim Sabará e morreu no dia 29 de dezembro no Hospital Universitário.
Segundo a chefe da Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores da Sesa, Themis Buchmann, o morador da região do Pantanal, no Mato Grosso, trabalhava como campeiro de gado. "O caso foi tratado como leptospirose. Os sintomas são muito comuns. Febre alta, dores no corpo, falta de apetite e manchas avermelhadas", explicou a veterinária. Com os resultados dos exames, a Sesa fez contato com o Ministério da Saúde e com a Secretaria de Saúde do Estado de Mato Grosso para comunicar o diagnóstico.
O segundo caso foi tratado inicialmente como suspeita de dengue. Uma menina de 12 anos, moradora de São Carlos do Ivaí, no Noroeste do Paraná, morreu no dia 14 de janeiro no Hospital Universitário de Maringá. "A suspeita é de que a criança tenha contraído a doença em viagem a Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro. Por isso, três regionais de saúde estão trabalhando no controle do vetor: a 19ª de Jacarezinho, a 14ª de Paranavaí e a 15ª de Maringá. Oito equipes de Vigilância Entomológica estão capacitadas e também vamos fazer capacitações em todas as regiões com os profissionais de saúde", informou Themis.
Conforme a veterinária, o carrapato encontrado em bois, cavalos, capivaras e animais domésticos pode transmitir a doença que ocasiona morte em 40% dos casos de febre maculosa. A doença não é rara e possui tratamento simples à base de antibióticos. Segundo Themis, a Região Norte do Estado apresenta maior incidência de carrapato. "A fronteira com São Paulo, a área destinada à agricultura e o clima quente favorecem essa incidência. O grande problema é que os sintomas se assemelham aos de outras doenças e, quando o paciente não revela que esteve em uma área com carrapatos, identificar a doença é ainda mais difícil", afirmou.
Em 2013, dos 78 casos da doença identificados no Sudeste do País, 36 ocasionaram mortes. Na Região Sul foram registrados 31 casos no mesmo período, mas não ocorreram óbitos. Por ano, são confirmados, em média, dois casos de febre maculosa no Paraná. Entre 2007 e 2013 não foram registradas mortes no Estado.
O responsável pela Divisão de Vigilância em Saúde da 14ª Regional de Saúde de Paranavaí, Valter Sordi, destacou que equipes estão na fase de pesquisa sobre o transmissor da doença. "Precisamos encontrar a possível fonte de infecção. Carrapatos foram localizados próximo à residência da menina que morreu com a doença, mas precisamos saber se os carrapatos são portadores da bactéria. Eles serão encaminhados para exames", destacou Sordi. A 17ª Regional de Saúde de Londrina encaminhou um alerta à Secretaria de Saúde do Mato Grosso para que medidas de combate ao transmissor possam ser adotadas naquele estado.


