O Paraná entrou em estado de epidemia de dengue. De acordo com o último boletim divulgado pela Sesa (Secretaria de Estado da Saúde), 30 pessoas já morreram pela doença desde o final de julho de 2019, quando teve início o atual período epidemiológico da dengue.

Imagem ilustrativa da imagem Mortes por dengue sobem para 30 no Paraná
| Foto: Folha Arte

A partir dessa data, 44.441 casos da doença foram registrados no Paraná. O total equivale a 336,21 casos por 100 mil habitantes. A situação de epidemia é caracterizada quando a proporção ultrapassa 300 casos confirmados para cada 100 mil habitantes.

Dos 399 municípios do Estado, 106 enfrentam epidemia da doença. Há pacientes notificados com suspeita da dengue em todas as cidades do Paraná.

Dos mais de 44 mil casos confirmados, 38.156 pacientes foram infectados no próprio município. Além do total de confirmações, há outros 40.891 casos suspeitos em que a Secretaria de Saúde aguarda os resultados dos exames. Em Londrina, são 4.878 casos confirmados e outras 12.237 notificações. A Secretaria da Saúde da Prefeitura de Londrina divulga nesta quinta-feira (5) um balanço específico da dengue em 2020.

“Vamos ter a maior epidemia do Estado”, alerta a coordenadora de Vigilância Ambiental da Sesa, Ivana Belmonte. O período de maior incidência de dengue no Paraná ocorreu entre agosto de 2015 e julho de 2016 quando foram confirmados mais de 56 mil casos de dengue com 63 mortes. Entre agosto de 2015 e fevereiro de 2016, havia 10.663 confirmações, 33,7 mil a menos em comparação com o atual período epidemiológico da doença.

“Temos o reflexo do que aconteceu na mudança de circulação do sorotipo da dengue, do DENV1 para o DENV2. Isso aconteceu em todo o Brasil. Essa alteração veio, nesses últimos dois anos, descendo da região Norte do país, Centro-oeste, Sudeste e agora Sul. Ano passado, o maior impacto foi nas regiões Sudeste e Centro-oeste”, explica.

Conforme Belmonte, a pessoa infectada por um dos quatro sorotipos de dengue adquire imunidade aquele sorotipo específico, porém pode ser infectada pelos outros três também transmitidos pelo Aedes aegypti.

“Nós ficamos por quase dez anos com circulação predominante de DENV1 no Paraná. Em 2019, aumentou significativamente o DENV2 e esse sorotipo está predominando agora em 2020”, afirma. De acordo com o balanço divulgado pela Sesa, das 14 mil amostras de pacientes infectados por dengue analisadas entre janeiro e fevereiro de 2020, 83% foram de DENV2. Os sorotipos 1 e 4 estão em circulação em menor proporção.

“Não existe milagre. É preciso trabalhar na remoção dos criadouros”, frisa a coordenadora de Vigilância Ambiental.

O novo inseticida que será utilizado no fumacê já chegou ao Brasil, mas ainda não foi repassado aos estados. O produto aguarda laudo técnico para a liberação. Por enquanto, não há previsão para a chegada do inseticida no Paraná.

Ainda de acordo com os dados da Sesa, o Estado registrou no segundo semestre do ano passado cinco casos de chikungunya (nas cidades de Araucária, Curitiba, Foz do Iguaçu, Maringá e Toledo) e três de zika vírus em Foz do Iguaçu.

FEBRE AMARELA

O Paraná segue sem registros de casos de febre amarela em humanos. No entanto, 114 foram confirmados em macacos entre julho de 2019 e fevereiro de 2020, 23 a mais em comparação com o último boletim semanal. Ao todo, 117 continuam em investigação e 264 foram classificados como indeterminado, já que não houve coleta de amostras.

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