Mortes por câncer aumentaram 31% no Brasil em 15 anos, afirma OMS
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de fevereiro de 2017
Jamil Chade<br>Agência Estado 

Genebra, Suíça - O número de mortes no Brasil por conta de câncer aumentou 31% desde 2000 e chegou a 223,4 mil pessoas por ano no final de 2015. Os números foram divulgados nesta sexta-feira (3) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que, para marcar o Dia Mundial do Câncer, neste sábado (4). Os dados da OMS apontam que, no início do século, 152 mil brasileiros morriam por ano da doença. Ao final de 2015, a taxa chegou a 223,4 mil. Hoje, o câncer é a segunda causa de mortes no País, superado apenas por doenças cardiovasculares.
Entre os tumores, o maior responsável pelas mortes é o câncer no sistema respiratório, com 28,4 mil casos em 2015. O câncer de cólon foi o segundo maior responsável por mortes, com 19 mil. Em terceiro lugar vem o tumor de mama, com 18 mil mortes em 2015 no Brasil.
A entidade constata que a expansão das mortes é um fenômeno global. Há 15 anos, o total não superava a marca de 6,9 milhões de pessoas, passando para 8,1 milhões em 2010 e 8,8 milhões em 2015. De acordo com a OMS, a expansão de 22% no número de mortes por câncer no mundo desde o início do século é uma das maiores já registradas pela medicina moderna.
Atualmente, uma a cada seis mortes no mundo é causada por câncer. Mais de 14 milhões de pessoas desenvolvem a doença a cada ano e a projeção indica que esse número irá atingir 21 milhões em 2030. O custo da doença tem sido cada vez maior e já soma US$ 1,1 trilhão em produtividade perdida e custos com seguros de saúde. "Trata-se do segundo maior motivo de mortes do mundo, depois de doenças cardiovasculares", disse Etienne Krug, diretor da OMS. "Por muito tempo, dizia-se que era uma doença de país rico. Isso não é mais verdade e o problema é global", afirmou.
Segundo Krug, a expansão no número de mortes está ligada ao fato de a população estar ficando mais velha, mudanças nos estilos de vida, sedentarismo, dietas pouco saudáveis e poluição.
No mundo, o principal responsável pelas mortes também são os cânceres ligados ao sistema respiratório, incluindo tumores de traqueia, de brônquio e de pulmões. No total, essas doenças fazem 1,6 milhão de vítimas por ano. Na virada do século 21, eram apenas 1,1 milhão de mortos.
O câncer de fígado é o segundo maior responsável por mortes, com 788 mil casos em 2015, seguido por câncer de cólon, com 774 mil incidências. Já os tumores de estômago matam 753 mil pessoas, contra 571 mil no caso de mama.
De acordo com os novos dados, os tumores são mais fatais em homens, com 5 milhões de casos em 2015, contra 3,8 milhões de mulheres. Os cânceres que afetam os dois gêneros, no entanto, são distintos. Entre os homens, os tumores mais letais são os que atingem o sistema respiratório, enquanto as mulheres são mais afetadas pelo de mama.
POBRES
O que mais preocupa a OMS é a disparidade entre países ricos e pobres, na capacidade de lidar com a doença. A taxa de incidência dos tumores aumentou de forma mais rápida nos países em desenvolvimento, representando 65% dos casos hoje de tumores no mundo. Esses países são que têm maiores dificuldades para identificar e diagnosticar os tumores em estágio inicial. Nessas nações existem as maiores deficiências em serviços de diagnósticos e em tratamento. A OMS apela, portanto, para que esses governos priorizem serviços de tratamento de baixo custo e impacto elevado.


