Curitiba Na década de 1990 as armas de fogo foram responsáveis por 265.975 mortes no Brasil, sendo 24% de todos os óbitos por causas externas (não naturais). O índice faz parte do relatório ''Violência por Armas de Fogo no Brasil'', lançado ontem, de manhã, em Genebra (Suíça) pelo Núcleo de Estudos da Violência (NEV) da Universidade São Paulo (USP). No Paraná, 10.403 pessoas morreram vítimas de armas de fogo 15,9% dos óbitos por fatores externos.
O mais preocupante é que os pesquisadores que trabalharam nesse relatório verificaram o crescimento dessa taxa no final da década na maioria dos Estados e capitais, incluindo Paraná e Curitiba. A exceção ficou para a Região Norte do País. Segundo o NEV, as mortes por armas de fogo já ultrapassaram o número de óbitos por acidentes de trânsito.
A pesquisa foi coordenada por Maria Fernanda Tourinho Peres e teve apoio técnico da Organização Mundial de Saúde (OMS), do escritório regional da Organização Pan-Americana de Saúde no Brasil e do Small Arms Survey. Compreende o período de dez anos (1991 a 2000) e abrange todo o território nacional.
Das 265.975 mortes por armas de fogo, 82% foram homicídios, 5% suicídios, 2% acidentais, 11% não tiveram a intencionalidade determinada e 0,1% foi atribuída à ação policial número que o próprio NEV acredita ser maior. Na opinião de Maria Fernanda, muitas dessas ocorrências acabam sendo registradas como homicídio e não são classificadas como intervenção legal.
Na Região Sul, das 164.535 mortes por causas externas na década de 90, as armas de fogo estão em terceiro lugar nos três Estados, com porcentagens que variam de 8,7% em Santa Catarina; 15,9% no Paraná e 21,8% no Rio Grande do Sul. Mortes por outros instrumentos/meios estão em primeiro lugar no Rio Grande do Sul (48,7%) e Paraná (42,3%), e no segundo em Santa Catarina (42,9%). Em um total de 27.625 mortes por armas de fogo que ocorreu na Região Sul, 52,5% (14.321) foram no Rio Grande do Sul, 37,7% (10.043) no Paraná e 10,5% (2.901) em Santa Catarina. Considerando todas as mortes por armas de fogo que ocorreram no Brasil na década de 1990, 4% foram registradas no Paraná.
Na década de 90, o Brasil teve 19,4 mortes por arma de fogo para cada 100 mil habitantes. As maiores taxas foram registradas nos Estados de Pernambuco, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso e São Paulo. Nesse ranking, o Paraná está em 14º lugar, com 13,1 óbitos por 100 mil habitantes. A capital, Curitiba, registrou 15,7 mortes por 100 mil habitantes.
Procurado pela Folha, o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, afirmou que a secretaria vem trabalhando para diminuir o índice de violência no Estado e estuda a criação de uma divisão específica para tratar dos crimes contra a vida.
Delazari destacou que o governo estadual investiu na campanha do desarmamento, sendo pioneiro na iniciativa no País. O secretário informou ainda que uma pesquisa feita recentemente, no período de 70 dias, apontou redução nos índices de violência: em Londrina a queda, segundo o estudo, foi de 30%; em Maringá, de 50%, e em Curitiba, de 27%.

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