Curitiba - Nos três primeiros meses de 2013, o número de homicídios culposos (sem intenção de matar) no trânsito caiu 23% no Paraná. A quantidade de vítimas fatais nas vias urbanas e rodovias passou de 591 no primeiro trimestre de 2012 para 455 nos três primeiros meses deste ano. Os dados fazem parte do Relatório Estatístico Criminal de Homicídio Culposo de Trânsito, elaborado pela Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape), da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), e divulgado na tarde de ontem.
Entre as grandes cidades do Estado, Foz do Iguaçu e Londrina apresentaram as maiores quedas. De um ano para outro as ocorrências caíram de 29 para 13 (55%) em Foz e de 35 para 17 (51%) em Londrina.
Em Curitiba, a quantidade de homicídios culposos passou de 55 para 44, resultando em 20% menos vítimas fatais no trânsito.
Em Maringá, do primeiro trimestre de 2012 para o mesmo período deste ano as vítimas fatais caíram de 18 para 14, uma diminuição de 22%. Em Cascavel, a queda foi de 30%, passando de 26 mortes para 18; e em Ponta Grossa, de 7,6%, com a redução de 26 para 24 na quantidade de vítimas fatais.
Para Gilza Fernandes Blasi, do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), uma série de fatores explica esta diminuição. Segundo ela, os congestionamentos acabam impactando nos números, uma vez que a lentidão provocada pelo excesso de carros nas ruas faz com que os motoristas não excedam a velocidade permitida e, consequentemente, os acidentes sejam evitados.
"É um fenômeno que estamos observando. Como é cada vez mais comum os congestionamentos nas grandes cidades do País e do Paraná, o excesso de velocidade e até mesmo a imprudência são coibidos. Entretanto é necessário ressaltar que os casos graves estão caindo e não o total de acidentes", destacou.
A professora da UFPR também destaca que as condições dos veículos, mais do que o respeito à Lei Seca, devem ter impacto nestes números. "Ainda é muito cedo para dizer que a lei mais rigorosa refletiu nos dados. Não existe nenhum estudo que comprove isso. Teríamos que analisar cada boletim de ocorrência para saber a realidade. Mas o que se percebe é que muitas vezes os veículos não passam por inspeção veicular e a falta de manutenção pode acarretar em acidentes", completou.

Rodovias
O inspetor Wilson Martines, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), acredita que a divulgação das operações de fiscalização pela mídia faz com que os motoristas peguem as estradas conscientes de que qualquer infração pode ser flagrada.
Para Cristiano Carrijo, capitão do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv), a Lei Seca mais rigorosa fez com que os motoristas mudassem o comportamento no trânsito. "Verificamos a queda nas ocorrências a partir deste ano. Em 2012 foram diversos acidentes graves com vítimas. E, sem dúvida, desde o final do ano passado, sabendo da fiscalização mais rigorosa e das ações com bafômetro, os motoristas estão mais conscientes", disse.

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