Mortes no campo aumentaram 69% em 2003
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quinta-feira, 08 de abril de 2004
José Maria Tomazela<BR>Agência Estado 
Presidente Prudente, SP- Durante o ano de 2003, foram mortos 73 trabalhadores em conflitos no campo em todo o Brasil, segundo relatório que acaba de ser editado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), ligada à Igreja Católica. O aumento foi de 69,8% em relação a 2002, quando morreram 43 pessoas. O número é o maior dos últimos 13 anos, só perdendo para o ano de 1990.
O primeiro ano do governo de Luiz Inácio Lula da Silva também foi marcado por um aumento de 82,7%, em relação a 2002, no número de conflitos agrários. Foram registradas 1.690 ocorrências, com 1.190.578 pessoas envolvidas. Também aumentaram em 140,5% o número de prisões e em 151,4% o de famílias expulsas de suas terras. O Poder Judiciário emitiu ordens de despejo de 35.297 famílias, envolvendo 176.485 pessoas. O aumento foi de 263,2% sobre o ano anterior e é recorde em toda a história brasileira, segundo a CPT.
O relatório ''Conflitos no Campo, Brasil, 2003'', elaborado sob a coordenação de João Batista Afonso, Antonio Canuto e Cássia Regina Luz, será apresentado oficialmente no próximo dia 13, durante o II Simpósio de Questão Agrária da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Franca.
Para o professor Anderson Antonio da Silva, do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos da Reforma Agrária (Nera), da Unesp de Presidente Prudente, que fará a apresentação, o trabalho permite um amplo diagnóstico da situação agrária no País.
Segundo ele, o ano foi marcado por uma grande retomada nas ações dos movimentos sociais de luta pela terra em razão da mudança de governo, com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva na presidência. ''Criou-se a expectativa de que a reforma agrária finalmente ia acontecer'', disse.
Ocorreram 676 ações entre ocupações e acampamentos, envolvendo 623.170 pessoas. Só as ocupações (invasões) somaram 391, envolvendo 65.552 famílias. No ano anterior, o último do presidente Fernando Henrique Cardoso, tinham sido registradas 183, com 26.928 famílias. As manifestações pela reforma agrária mobilizaram 481.023 pessoas.
O relatório reconhece que, se o governo adotou uma nova postura diante dos movimentos de campo, não os tratando como criminosos, também não realizou nenhuma ação concreta para fazer a reforma agrária. O número de famílias assentadas, 15.890 em assentamentos novos e 27.102 nos já existentes, é considerado irrisório.


