Mortes maternas preocupam especialistas
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terça-feira, 10 de setembro de 2002
Mônica Kaseker<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Doenças pré-existentes que complicam a gravidez e o parto correspondem a 25% das mortes maternas no Paraná. Nas estatísticas do ano passado em Curitiba e Região Metropolitana, as chamadas causas indiretas também foram responsáveis pela elevação do coeficente de 30 mortes de mulheres a cada 100 mil nascidos vivos para 55/100 mil. De acordo com o presidente do Comitê de Mortalidade Materna da 2 Regional de Saúde, que responde pela região, Hélvio Bertolozzi Soares, os dados apontam para uma tendência que pode ser corrigida com métodos anticoncepcionais adequados e maior vigilância à gravidez de risco nas unidades básicas de saúde.
Para isso, ''A Saúde Sexual e Reprodutiva na Prevenção da Gestação de Alto Risco'' foi escolhida como tema do seminário regional promovido pelo Comitê Regional de Prevenção da Mortalidade Materna da 2 Regional de Saúde. ''Curitiba tem condições de se manter no patamar de 25 a 30 mortes para cada 100 mil nascidos vivos, se corrigirmos falhas na vigilância à gravidez de risco nas unidades de saúde'', diz. Para isso, participaram do seminário cerca de 150 profissionais da região metropolitana. Bertolozzi explica ainda que a análise das estatísticas é feita a cada três anos, mas que o acompanhamento anual dos casos é importante para avaliar as tendências.
No Paraná, de acordo com o presidente do Comitê Estadual de Mortalidade Materna, Fernando Cesar de Oliveira Júnior, houve uma redução nos casos de 34% de 1990 para cá. Na ocasião, 180 mulheres morreram no período de gestação, parto e puerpério, que corresponde aos 40 dias pós parto. O coeficente era de 105/100 mil. Já no ano passado, foram 109 mortes, o que representa 65 mortes para cada 100 mil nascidos vivos.
As causas indiretas, que correspondem a 25% do total de mortes maternas, são doenças pré-existentes como hipertensão, cardiopatias, diabetes e doenças respiratórias, que acabam complicando a gestação, o parto e a recuperação das mulheres. Entre as causas diretas, a eclâmpsia, ou seja, hipertensão específica da gravidez, corresponde a 20% das mortes. A segunda maior causa de morte são as hemorragias (16%), seguida pela infecção puerperal (8%).
O seminário também teve a participação da secretária executiva da Rede Nacional Feminista de Saúde, Maria Isabel Baltar. Ela apresentou a preocupação sobre as mortes maternas causadas pelos abortos clandestinos. Ela, que também é pesquisadora do Núcleo de Estudos de População da Unicamp, ressalta que muitas mulheres acabam morrendo pelas condições precárias em que são atendidas e estes casos acabam não sendo notificados como mortalidade materna, ou entram como casos de hemorragia ou infecção puerperal.


