Maceió, 29 (AE) - A direção da Maternidade Santa Mônica, em Maceió, confirmou hoje a morte de mais um recém-nascido, vítima de "prematuridade e infecção inespecífica". Com este óbito, registrado às 21h50 de ontem (28), sobe para 13 o número de bebês mortos em apenas uma semana na maternidade. Cinco recém-nascidos permanecem no berçário da Santa Mônica. A maternidade continua sem receber mulheres para partos, embora o Conselho Regional de Medicina (CRM-AL) tenha sido informado pelo diretor geral Robson Vieira que o funcionamento voltou ao normal na manhã de hoje.
Segundo o presidente da CRM-AL, Emanoel Fortes Silveira Cavalcanti, enquanto não for divulgado o resultado dos exames laboratoriais realizados nos bebês, não é possível dizer a causa das mortes. "Dos primeiros dez óbitos, temos a certeza que seis não têm relação com infecção hospitalar", afirmou. Cavalcanti explicou que os exames estão sendo realizados no Laboratório Central de Maceió (Lacem), que ficou de divulgar os resultados ainda esta semana. Ele não descarta a possibilidade de interdição da maternidade. "Mas seria o último recurso".
A direção da Santa Mônica se negou fornecer o nome da mãe do 13º bebê morto, alegando impedimento expresso do código de ética médica. As assistentes sociais divulgaram apenas que a paciente deu a luz a um bebê de sete meses, no Hospital Municipal de Boca da Mata, a 76 quilômetros de Maceió, no dia 21 de setembro. O bebê foi transferido para a Santa Mônica no dia seguinte e faleceu na terça-feira às 21h50. O pai veio buscar o corpo da criança hoje, às 14 horas, em uma ambulância da Prefeitura de Boca da Mata, onde foi feito o sepultamento. Problemas - A maternidade foi inspecionada na segunda-feira pela médica Ana Marluce Pina. A fiscalização foi feita por ordem do CRM-AL. O laudo com resultado dessa fiscalização foi analisado na terça-feira à tarde pelo conselho. Segundo o presidente do CRM-AL, a médica analisou a UTI Neonatal (berçários) e constatou deficiências de material e de pessoal. Cavalcanti disse que essas deficiências já tinham sido comunicadas à Secretaria Estadual de Saúde, em relatório entregue em maio para a secretaria Amália Amorim.
"Não foi por falta de aviso que aconteceu essa quantidade de óbitos em menos de uma semana", comentou o presidente do CRM-AL. Segundo Cavalcanti, o conselho foi convidado para discutir a situação da Santa Mônica na sessão da próxima terça-feira da Assembléia Legislativa, junto com o Ministério Público Estadual, autoridades de saúde, sindicato dos médicos e demais profissionais do setor. "Precisamos encontrar um remédio definitivo para esse mal", disse.
Desvio - A direção da Maternidade Santa Mônica não quis se pronunciar sobre o suposto desvio de verbas da maternidade. Segundo o ministro da Saúde, José Serra, recentemente foi liberada uma verba no valor de R$ 700 mil para equipar a Santa Mônica, mas esse dinheiro não teria chegado a maternidade. A Secretária de Saúde também não havia se pronunciado sobre esse assunto até o final da tarde.
Hoje, servidores contratados como prestadores de serviço
que estão sem salários há quatro meses, fizeram uma manifestação na frente da maternidade e xingaram o diretor geral Robson Vieira, chamando-o de "assassino de crianças".

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