Imagem ilustrativa da imagem Mortes em confrontos com a polícia crescem quase 19% em 2018
| Foto: Divulgação/ARN



O Paraná registrou um aumento de 18,9% nas mortes de civis em confronto com policiais militares, policiais civis e guardas municipais em 2018, quando comparado com o ano anterior. O levantamento, feito pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), indica que 327 pessoas morreram em ações policiais no ano passado, contra 275 em 2017. No número de mortes, Londrina fica em segundo lugar no Estado, com 23 mortes (22 em confrontos com a PM e uma, o do jovem Matheus Evangelista, em uma ação da Guarda Civil Municipal).

As 327 mortes registradas em 85 cidades do Paraná em 2018 ocorreram em 253 ocorrências policiais, ou seja, em várias destas ocasiões, mais de uma pessoa morreu. O perfil das vítimas é majoritariamente negra ou parda (177, contra 135 brancos) e, predominantemente, na faixa etária dos 18 aos 29 anos, segundo o coordenador do Gaeco no Paraná, Leonir Batisti.

As estatísticas do Gaeco demonstram que Curitiba registrou 76 mortes em confrontos (73 envolvendo a PM e 3 com a PC) e Londrina, 23 (22 em confrontos com a PM e uma da Guarda Civil Municipal). Em seguida vêm São José dos Pinhais (21), Colombo (12) e Araucária (10), todas relativas à PM.

Na Região Metropolitana de Londrina, também chama a atenção o município de Cambé, com sete mortes em confrontos com policiais (6 envolvendo a PM e uma, a PC), o mesmo número registrado em Maringá, Pinhais e Piraquara, segundo o levantamento.

Para Batisti, o aumento nas mortes é reflexo tanto do volume de crimes quanto de uma valorização pela sociedade de ações em que o suspeito acaba morto. Para ele, o combate à aceleração das mortes nas ações passa por várias ações, que começa com o preparo dos policiais para que tenham a convicção de só agir de acordo com a defesa da própria vida e a de terceiros. "O abrandamento deste conceito é um eco do que a sociedade pensa, de que 'é bandido, tem que morrer'. Imagino que isso reflita no inconsciente dos policiais e [o combate a] isso precisa ser trabalhado durante os treinamentos", diz.

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